Richard James Edwards: What’s your story, baby?

Richey James ♥

Quando conheci e comecei a curtir o som do Manic Street Preachers  (em 1998 ), não poderia imaginar que a banda havia passado recentemente por um momento tão trágico e complexo, e só um tempo depois assistindo a um documentário sobre os caras no Eurochannel é que tive conhecimento.

Richard James Edwards ( Blackwood, 22 de Dezembro 1967 – 1º de fevereiro de 1995 ? ) foi guitarrista e compositor do  Manic Street Preachers, banda classificada por muitos como “alternativa”. O  Manics, como é  carinhosamente chamado pelos ( leia-se EU ) fãs, nasceu  na cidade de  Blackwood, País de Gales, em 1989.

Formada a princípio por  James Dean Bradfield nos vocais e guitarra, Nicky Wire ( divo! ) no baixo e Sean Moore na batera , seu primeiro nome foi Betty Blue – título em inglês do filme  francês “37º 2 Le Matin” de  Jean Jacques Beinex. Esse nome não durou muito, e antes mesmo que a banda lançasse seu primeiro single, o então trio adotou Manic Street Preachers como definitivo. E é  aí que entra nosso querido Richey James.

Richey começou no Manics como motorista e roadie dos caras. Sua primeira participação mais  digamos “artística”, foi desenhando a capa do 1º single da banda, Suicide Alley, usando de fortes influências do primeiro álbum do Clash, de mesmo nome. Logo depois ele viria a ser o novo e mais carismático integrante do Manic Street Preachers. Sua personalidade forte e discutível era visível em suas composições, chegando a superar o principal compositor da banda, o baixista Nicky Wire, tanto que o terceiro álbum dos Manics, “Holly Bible” (1994) composto quase que totalmente por Richey é considerado um dos melhores álbuns da década de 90. E  foi justamente durante a composição deste álbum que Richey estava no auge da sua luta contra a depressão, o abuso de álcool, a auto-mutilação e a anorexia nervosa. É, não parecia ser nada fácil, talvez daí tenha vindo tanta inspiração.

A Entrevista à NME

Em 1991, durante entrevista à revista britânica NME feita pelo jornalista Steve Lamarcq, ao ser questionado sobre a seriedade da banda, Richey visivelmente irritado acabou respondendo à pergunta escrevendo em seu braço com uma navalha os dizeres “4 Real”, o que acabou lhe custando 17 pontos nas feridas. Tal atitude, misturada as suas fortes crises nervosas e reações impulsivas, deixaram o restante dos integrantes bastante preocupados, e claro, fez a alegria dos tabloides sensacionalistas.

O Começo do Fim =(

Com a internação em uma clínica psiquiátrica no final de 1994,  e uma série de declarações depressivas, a vida de Richey foi se tornando cada vez mais pública e triste. A auto-mutilação parecia ser o remédio para os momentos em que  seus pesadelos pessoais falavam mais alto, e o guitarrista por várias vezes se cortava ou queimava-se com cigarros, em busca de um alívio superficial: Quando eu me corto eu me sinto muito melhor. Todas as pequenas coisas que poderiam ter sido chatas, de repente me parecem tão triviais porque eu estou concentrando na dor.” Logo, as drogas passaram a ocupar quase que por completo a sua vida.

No dia 1º de fevereiro de 1995, as vésperas do Manic Street Preachers partir em turnê pelos Estados Unidos, Richey James abandonou seu quarto de hotel em que estava hospedado em Londres, deixando para trás passaporte e cartões de crédito. Seu carro foi encontrado uma semana depois, próximo a ponte Severen Bridge, em Bristol, lugar com um grande histórico de suicídios, e essa foi a primeira hipótese levantada, uma vez que Richey sofria de fortes distúrbios emocionais, porém seu corpo nunca foi encontrado. Muitos acreditam que o guitarrista se encontra vivo e vários relatos dão conta da presença de Richey ao redor do mundo, o que na minha opinião infelizmente não é verdade.

A banda relutou em voltar, mas acabou por lançar em  1996  o álbum “Everything Must Go”, ainda com composições de Richey, e dois anos depois era lançado o belíssimo “This is My Truth, Tell Me Yours” com composições claramente dedicadas ao guitarrista, como a linda “Nobody Loved You.”  Já em 2009 a banda lançou “Journal For Plague Lovers”, escrito na  íntegra por Richey, e cujo material a banda guardava por anos. O álbum foi um sucesso de crítica.

Apenas em 2008, depois de anos de buscas e investigações, a família de Richey o declarou oficialmente como morto, embora sua irmã Rachel Elias ainda acredite na volta do irmão: Alguns dias eu sinto um resíduo de esperança de que ele ainda pode estar vivo. Tudo o que sei é que ele não deixaria essa nuvem negra pairar sobre todos.”

A verdade é que ninguém nunca saberá o que realmente aconteceu com Richey James, e esse sem dúvida é um dos grandes mistérios do mundo da música. Detalhe: Ele estava com 27 anos. Mas o clube dos 27 é assunto pra um outro dia…

Trilha sonora deste post: “The Doors – The Soft Parade” =)

Sobre rosegomes

Rose,Tia Rose, Desert Rose ou só Desert, como quiser. Estudante de jornalismo, amante de boa música e boa bebida. Traz no currículo a pretensão de ser um Fábio Massari de saias. Contato: cademeuwhiskey@gmail.com
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