Nick Drake e tudo aquilo que representa a deprê setentista

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Nick Drake, belamente deprê.

Há uma semana fiquei curiosa em conhecer Nick Drake. Vira e mexe eu via fotos dele num tumblr que sigo, e o achava sempre com um olhar triste. Resolvi baixar sua discografia, mas perante a tanta depressão exclui os arquivos após passar rapidamente faixa a faixa. Decidi ouvir com mais calma e baixei novamente, pois queria entender sua música.

Nicholas Rodney Drake, nascido em junho de 1948 na antiga Birmânia, tem em todas as suas composições a melancolia como tema central. Nick morreu novo – aos 26 anos, em novembro de 1974. Muitos acreditam que tenha sido suicídio, pois o jovem sofria de forte depressão, o que podemos notar claramente em seu trabalho. Com um estilo chamado por muitos de folk progressivo teve uma carreira curta com apenas três discos lançados e o mais irônico ou até mesmo injusto é que somente décadas depois de sua morte seus álbuns foram reconhecidos como alguns dos melhores discos da história.

Five Leaves Left – Setembro de 1969

A voz de Nick me lembra um pouco a do Jack Johnson e em algumas músicas Jakob Dylan do Wallflowers,  mas de uma maneira mais soturna.

Esse disco traz mais referências à música clássica, é aquele tipo de música pra relaxar, pegar uma estrada ou até mesmo descansar a cabeça.  River Man  tem uma orquestra bonita, o som do violino parece deslizar sobre o som do violão (filosofando aqui). Destaques para Way to Blue  com uma belíssima introdução, e Day is Done. O disco fecha com Saturday Sun que tem um dos pianos mais lindos que já ouvi, e um estilo mais voltado ao jazz.

Ficou em 283º lugar na lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos da revista Rolling Stone. Entra também na lista de discos preferidos de alguns músicos como Robert  Smith vocal do The Cure e Peter Buck, guitarra do R.E.M. 

 Bryter Layter  – Novembro de 1970

É um álbum menos deprêDrake foi acompanhado pela banda folk britânica Fairport Convention e por John Cale, ex-músico do Velvet Underground. Possui maior influência de jazz e  músicas mais animadas como Hazey Jane II  e Poor Boy. Começa com a belíssima Introduction, minha preferida desse álbum. A flauta da instrumental Sunday me faz imaginar que  Nick teria se dado muito bem em uma banda de rock progressivo.

Ficou em  245º lugar entre os 500 maiores álbuns de todos os tempos da revista Rolling Stone, e apesar de Pink Moon ser o álbum mais aclamado pela critica , ainda assim esse foi o que mais gostei.

Pink Moon – Fevereiro 1972

É  mais depressivo e simples, contando apenas com Nick e um violão. Foi gravado  em duas sessões de duas horas, e tem somente 28 minutos. No estúdio apenas Nick e o produtor Joe Boyd estavam presentes. Abre com a música de mesmo nome, Pink Moon sendo destaque juntamente com This Behind the Sun que tem um violão muitíssimo bem trabalhado. No geral as letras também chamam a atenção por serem bem deprês. Em  Place to be, Nick canta:

And I was strong, strong in the sun

I thought I’d see when day is done

Now I’m weaker than the palest blue

E eu era forte, forte sob o sol.

Pensei que veria quando o dia chegasse ao fim

Agora sou mais fraco que o mais pálido dos azuis

 Bastante elogiado pela crítica, Pink Moon ficou em 320ª na lista dos 500 maiores álbuns de todos os tempos da revista Rolling Stone, mostrando que é possível se fazer um álbum de qualidade apenas com violão e banquinho.

Não há registros de Nick Drake se apresentando ou falando. No youtube podemos ver apenas a clipes de fotos, o que sinceramente me deixa mais curiosa ainda em relação a ele, e a tudo relacionado a essa época dos anos 60-70, tão depressiva, tão saudosa, tão medonha, tão fascinante!

Trilha sonora  deste post >> Nick Drake – “Bryter Layter” – 1970

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Sobre rosegomes

Rose,Tia Rose, Desert Rose ou só Desert, como quiser. Estudante de jornalismo, amante de boa música e boa bebida. Traz no currículo a pretensão de ser um Fábio Massari de saias. Contato: cademeuwhiskey@gmail.com
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