Other Voices e Full Circle : o outro lado do Doors

Doors5

Krieger, Densmore e Manzarek: talentos inegáveis, com ou sem Jim Morrison.

Já faz um tempo que quero falar desses dois trabalhos que os caras do Doors fizeram após a morte de Jim Morrison (suposta morte pra uns, morte certa pra outros, mas enfim), por acreditar que se trata de dois discos muito bons, mas infelizmente pouco divulgados, (nada divulgados no caso do Brasil).

Muitos admiradores do Doors e até mesmo os fãs “mais recentes” não têm conhecimento (ou até têm, mas não se empolgam muito em ouvir) dos álbuns  “Other Voices” (1971) e “Full Circle” (1972), por acreditar que sem o vocalista – morto em 1971 – a banda perdeu a graça. Mas eu como fã (nática) e curiosa ao extremo, não só ouvi diversas vezes como gosto demais desses discos e acredito que os caras tiveram a oportunidade de mostrar muito mais neles, sem a figura extremamente carismática de Morrison, que acabava por apagar um pouco seus companheiros de banda. Bora lá!

Other Voices – 1971

Produzido por Bruce Botnick o disco começou a ser gravado enquanto Morrison passava sua temporada de férias na França e acabou sendo lançado já em outubro daquele mesmo ano, apenas três meses após o falecimento de Jim.

00. The Doors - Other Voices - Front

Capa simples, disco bem feitinho.

O vocal chegou a ensaiar algumas músicas antes de viajar, mas com sua morte o tecladista Ray Manzarek e o guitarrista Robbie Krieger (dupla que compôs todas as músicas desse álbum) acabaram por assumir os vocais.

Other Voices de uma certa forma ainda traz a “presença marcante” de Jim Morrison, afinal, as músicas foram compostas para que ele as interpretasse, e fica fácil imaginar como a belíssima Ships w/Sails e a calma Down on the Farm (essa última inclusive Morrison não queria que entrasse no disco, só Deus sabe o porquê) ficariam na sua voz. Mas, é claro, sem desmerecer Manzarek e Krieger, que souberam levar muito bem os vocais nesse trabalho. E a prova disso é a emocionante Wandering Musician que traz uma bela interpretação do tecladista. Other Voices também apresenta instrumental muito bem executado como nas faixas In the Eye of the Sun (em que o vocal de Manzarek remete um pouco ao de Mick Jagger), Tightrope Ride (com belos riffs) e Hang on to Your Life,(destaque para a guitarra de Krieger e a batera suave de John Densmore). Enfim, Other Voices mostra que os caras saberiam sobreviver sem um grande frontman.

Full Circle – 1972

O oitavo disco de estúdio da banda – o segundo sem Morrison –  traz um Doors mais focado num rock experimental e porque não, até um pouco progressivo. Diferente de Other Voices o álbum traz outras colaborações nas composições além da parceria de Krieger & Manzarek, como a do batera John Densmore, e a lembrança do Rei Lagarto já não aparece neste trabalho.

00. The Doors - Full Circle - Front

A belíssima capa de Full Circle

 O álbum abre com a dançante e swingada Get Up and Dance, seguida da graciosa e “sessentista” 4 Billion Souls, com uma interpretação quase beatlesística de Robbie Krieger. Verdilac é sem dúvida um dos grandes destaques de Full Circle. A música traz um instrumental calmo e bem executado, uma verdadeira viagem, com direito a um belo saxofone trabalhando em harmonia com o órgão mágico de Manzarek, que por sua vez contrasta com o solo de Krieger, terminando numa virada espetacular.

O disco ainda traz as apreciáveis Good Rockin (um cover da década de 40), e The Piano Bird (destaque para a presença harmoniosa da flauta), e o último hit da banda, The Mosquito, interpretada comicamente por Krieger e com um excelente instrumental, sendo até hoje  executada nos shows que a banda faz com os remanescentes (porém sem a presença de Densmore).

Full Circle até chegou a figurar na Billboard (68º posição), e na minha mais sincera opinião foi uma pena os caras não seguirem com o Doors, como um Power trio.

Disquinhos altamente recomendáveis!   ★★★★★

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Postado (mas é claro) ao som de “The Doors –  Full Circle, 1972.”

Sobre rosegomes

Rose,Tia Rose, Desert Rose ou só Desert, como quiser. Estudante de jornalismo, amante de boa música e boa bebida. Traz no currículo a pretensão de ser um Fábio Massari de saias. Contato: cademeuwhiskey@gmail.com
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5 respostas para Other Voices e Full Circle : o outro lado do Doors

  1. oceagaa disse:

    Eu não conheço (de escutar) nenhum dos dois, mas há um jornalista brasileiro que em um livro sobre rock progressivo também os classificou como tal – e a capa do “Full Circle” é algo bem progressivo, basta comparar com as capas das bandas progressivas da época. Você sabe que eu não sou lá fã de The Doors – embora o disco The Soft Parade seja algo que eu escute vez ou outra porque ele é bom do início ao fim -, mas vou atrás pelo menos do Full Circle porque fiquei curioso e como eu sempre disse: um disco bom, muitas vezes, já começa pela capa.
    Excelente post, se quiser republicá-lo um dia no That Rock Music seria legal.

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  2. Bia disse:

    Uma das boas bandas que já existiu!!!!
    Passa no meu blog pra conhecer, se gostar siga que eu sigo tb!!!
    http://www.makeolatras.blogspot.com.br
    Bjsss =]

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  3. Souzza disse:

    Embora não tenha escutado esses trabalhos – sem o vocal condutor de Jim Morrison – engrosso o coro dos que acreditam no pouco reconhecimento que os jornalistas – e público em geral – costumam reservar aos músicos. Se Morrison foi um grande catalisador de atenção – com sua poesia viajandona, um dos timbres mais bonitos que a música já teve e postura extremamente carismática (e transgressiva) – foram os demais integrantes da banda que elaboraram a sonoridade particular – e espetacular – que os diferencia até hoje de qualquer grupo que tenha surgido – na verdade antes, ou – depois.

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