3 discos 5 estrelas de julho

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aaaah como é bom!

Este mês me desapontou um pouco. Não houve nenhum lançamento que me apetecesse e acabei ficando nas velharias mesmo. Mas por um lado foi bom porque voltei a ouvir alguns álbuns que há muito tempo não ouvia e acabei descobrindo coisas “novas” também. =D

Scorpions – Lonesome Crow – 1972

O álbum debut traz um Scorpions bem diferente do que as rádios costumam tocar. A banda aparece bem mais pesada e até mesmo sombria, focando no heavy metal com pitadas progressivas e psicodélicas. Muitas faixas me lembram Sabbath, Zeppelin e até mesmo Coven, bandas do cenário musical daquela época. Nem sombra do hard farofa dos anos 90 (que eu particularmente adoro). “It All Depends” é prova disso. A segunda faixa destaca com êxito o alto desempenho  dos músicos. “In Search Of the Peace of Mind” também. A música tem forte presença do baixo e traz um Klaus Meine irreconhecível, com vocais bem mais consistente que de costume.

“Inheritance” a faixa mais obscura é uma das grandes canções do disco. Além dos efeitos medonhos, a dupla Michael Schenker e Lothar Heimberg  mostra que sabe muito bem o que está fazendo. “Action”  surpreende trazendo elementos do jazz e do blues numa batida perfeita e solo de guitarra incrível.

Apesar de muitos acreditarem que a banda estava perdida neste primeiro trabalho, na minha opinião é um excelente disco. A grande estrela de Lonesome Crow é, sem dúvida, o instrumental, principalmente a guitarra, o baixo e as peripécias que os músicos fazem com seus instrumentos. Se você não conhece este lado mais “trabalhado” da banda, te aconselho a ouvir este álbum por inteiro.

★★★★★

Supergrass – I Should Coco – 1995

I Should Coco é um disco animado do início ao fim e reflete o momento positivo pelo qual o britpop passava na década de 90.  Traz em suas treze faixas claras influências do rock britânico de um modo geral nos últimos 20 ou 30 anos, além de contar em suas letras um pouco da vida dos músicos. Abre os trabalhos com a animadíssima “I’d like to Know”, que destaca os riffs vibrantes do vocalista e guitarrista esquisitão, Gaz Coombes.

“Caught by The Fuzz” traz introdução semelhante à de God Save the Queen do Sex Pistols e fala sobre a prisão de Coombes por porte de maconha. O disco ainda traz “Mansize Rooster”, com o baixo ritmado de Mick Quinn e mantém a mesma energia das faixas anteriores, “Allright”, o carro chefe do álbum e sem dúvida a música mais conhecida da banda, “Lose It”, uma faixa um pouco mais pesada com um belo trabalho de Danny Goffey  na batera e no mais, mantém a mesma pegada “inglesa” como nas faixas “Strange Ones” e “Time” (esta com batida e riff envolvente) e a beatlesística  “Sofa (of My Lethargy)”.

 Sem dúvida é um dos discos mais importantes da vertente e um dos melhores da banda que viria a se separar em 2010. Para os admiradores do gênero é um prato cheio.

★★★★★

U2 – Zooropa – 1993

O U2 traz neste álbum um dos trabalhos mais ousados e criativos de sua carreira. Entre as 10 faixas de Zooropa o quarteto passeia pelo alto grau de experimentações que variam entre o rock alternativo, música eletrônica e diversos efeitos sonoros usados no antecessor, Acthung Baby, de 1991. Faixas como a inebriante “Zooropa” e “Numb” são um bom exemplo.

“Babyface”, a poética e aparentemente ingênua canção mostra letra extremamente sensual e batida envolvente, enquanto que “Lemon” destaca o instrumental que fica evidenciado com clareza pelo baixo harmonizando totalmente com a bateria. A faixa mais bonita do disco e uma das melhores canções da banda, a doce e cinzenta “Stay (Faraway, So Close!)” chega numa interpretação comovente. Já Some “Days Are Better Than Others” evidencia mais uma vez Adam Clayton com sua linha de baixo preparando o terreno para  a bela e singela “The First Time”, música de simplicidade extrema. O disco fecha com a arrepiante interpretação da lenda Johny Cash à canção “The Wanderer”, escrita especialmente para ele.

Zooropa mostra que o U2 se libertou de si mesmo, explorando novos campos com uma ousadia que poucas bandas experimentaram, sem medo de se reinventar, o que foi um soco no estômago dos fãs mais conservadores.

★★★★★

********

Postado ao som de Doors com o álbum “Behind Closed Doors The Rarities” (2013)

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Sobre rosegomes

Rose,Tia Rose, Desert Rose ou só Desert, como quiser. Estudante de jornalismo, amante de boa música e boa bebida. Traz no currículo a pretensão de ser um Fábio Massari de saias. Contato: cademeuwhiskey@gmail.com
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2 respostas para 3 discos 5 estrelas de julho

  1. Jorge Takeda disse:

    Nunca parei pra curtir o Supergrass direito. Agora vai!

    Curtir

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