Obra prima para refletir: The Wall, o filme

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É preciso destruir o muro que nos protege dos nossos medos.

Quem ainda não viu, que veja. Quem já viu, que veja de novo. The Wall é daqueles filmes que  merecem ser vistos inúmeras vezes, não só por sua complexidade encantadora mas também porque através dele pode-se fazer  um exercício  quase que psicológico de se colocar  no lugar do personagem principal e  de uma certa maneira exorcizar seus maiores monstros. Comigo sempre dá certo.

Produzido em 1982 The Wall contou com a direção do renomado diretor Alan Parker (O Expresso da Meia-Noite, Evita), enquanto o cartunista Gerald Scarfe ficou à frente das sequências de animação. O filme – altamente metafórico – é baseado no álbum de mesmo nome da banda Pink Floyd, que foi lançado em 1979 tendo seu roteiro escrito pelo líder da banda, o vocalista e baixista Roger Waters.

The Wall Movie 1982

Pink (Bob Geldof), o roqueiro deprê.

Sobre o disco podemos dizer que é o álbum duplo mais vendido da história e que traz além das composições amargas e sensíveis de Waters, a atuação magistral de David Gilmour na guitarra. É de uma sensibilidade instrumental riquíssima e contém efeitos sonoros bastante detalhados. 

A tradução para THE WALL, em português é O MURO. O muro que  sentimos em nosso coração e tanto pode ser um sentimento cruel, um medo que acaba por nos excluir do mundo, como uma espécie de muro que se pode  criar entre o artista e seu público. Um dos fatos que “inspirou” Roger Waters a escrever The Wall aconteceu durante um show do Pink Floyd, nos anos 70. Waters cuspiu  no rosto de um de seus fãs, que tentou agarrá-lo. Mais tarde refletindo sobre o ocorrido ele percebeu que sua relação com o público havia chegado ao limite. Ele havia deixado de ser apenas um músico expondo eu trabalho, para se vestir num personagem ditador, que impunha sua arte sobre a grande massa que se distanciava a cada dia mais. Uma espécie de muro  fora criado entre ele e sua plateia, impedindo que acontecesse a comunicação real necessária entre o artista e seu público. 

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O filme conta sobre Pink, um roqueiro deprimido, vivido pelo músico Bob Geldof (da banda The Boomtown Rats, aquela do I Don´t Like Mondays),  que se vê diante de todas as suas frustações e  depressões, resultado da pressão de ser um “astro de rock”e de uma infância cheia de traumas como a morte de seu pai na Segunda Guerra Mundial, a superproteção de sua mãe e o bullying sofrido na escola por parte do professor e colegas devido a seus poemas. Cada dia mais distante de sua vida, atrás do “muro” que construiu como proteção, Pink vai perdendo sua carreira e até mesmo sua esposa, que acaba por se envolver com outro homem. O músico começa a se enxergar como um ditador e numa das cenas mais antológicas do filme, raspa todos os pelos de seu corpo numa referência clara a Syd Barrett, ex-integrante da banda que surgiu nas gravações de “Wish You Were Here” de sobrancelhas e pelos raspados.

Manipulado por seu empresário que o mantém dopado para que prosseguisse com sua carreira, Pink vive momentos de alucinação que o fazem pensar que ele é um ditador neonazista, seu show, uma manifestação e seu público, uma grande massa influenciada por ele a “limpar o mundo dos males das sociedades”. Em sua mente já cansada o músico vive um julgamento em que sua mãe, sua esposa e seu professor estão contra ele e acaba sendo sentenciado a “destruir” o muro que o isola do mundo, este muro imaginário que muitas vezes nos impede de atingirmos nossos objetivos.

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Pink se vê em frente a ele mesmo, na infância.

A história é uma mistura de momentos da vida de Roger Waters (como o fato de seu pai ter morrido durante uma batalha nos anos 40, assim como o pai do personagem , que morreu na Segunda Guerra) e acontecimentos fictícios. Inicialmente o próprio Waters interpretaria Pink, mas depois de alguns testes a ele coube apenas uma pequena figuração na cena do casamento do personagem durante a música “Mother”.

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O músico se vê como um ditador dominando seu público.

As opiniões se dividem bastante quanto ao filme. Alguns o consideram  apenas  um musical, um grande videoclipe, outros, uma crítica clara ao governo e à sociedades ocidentais do século XX. Diversas análises circulam pela internet, revistas e livros, mas acredito que o mais importante é que cada um faça a sua própria interpretação sobre a história, analisando de acordo com os próprios problemas e decepções por qual passamos durante a vida e , principalmente, destrua esse muro interno tão prejudicial.

Aperte o play e boa viagem!

Postado ao som do álbum “Rewind the Film” – Manic Street Preachers, 2013.

Sobre rosegomes

Rose,Tia Rose, Desert Rose ou só Desert, como quiser. Estudante de jornalismo, amante de boa música e boa bebida. Traz no currículo a pretensão de ser um Fábio Massari de saias. Contato: cademeuwhiskey@gmail.com
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4 respostas para Obra prima para refletir: The Wall, o filme

  1. Asantix disse:

    Olá Rose!
    Um filme bem aconselhado! Sou fã desse grupo.Acontece que na altura em que ele foi realizado,a sociedade Inglesa atravessava momentos de grande angústia. Após aparecer este génio musical,a SOCIEDADE,começou a dar os seus primeiros sinais de inverter a sua situação,ao ponto do filme ter sido proibido assim como o álbum que o compõem.Hoje, passados 34 anos do seu lançamento, ainda é o mais visto e vendido no universo discográfico e cinematográfico.
    É sempre bom recordar o que é bom.
    abraço

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  2. Frank disse:

    Olá,

    Preciso comentar sobre seu post, sou fã do Pink Floyd, e já vi este filme umas 30 vezes. Sim, o filme te leva para uma dimensão paralela, e te faz refletir sobre tudo o que acontece consigo.

    Parabéns. Muito sucesso!!!
    Abraço.

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