Morreu e agora? Virei fã!

hahaha

Verdades da vida…

Meses atrás, Gene Simmons, baixista e líder do Kiss, declarou em uma entrevista à Team Rock Radio que não é apenas porque um artista morre que deve virar um ícone. Inclusive o músico chegou a citar duas figuras que em sua opinião foram “endeusadas” pela mídia e principalmente pelos fãs: Amy Winehouse e Kurt Cobain. Ainda na declaração, Simmons afirmou que não são apenas um ou dois discos que vão transformá-los em ícones. “Um ou dois álbuns não são suficientes. Só porque você morreu isso faz de você um ícone? Não, não”.

Pois bem. Lendo esta matéria na época me veio à cabeça o que sempre me vem quando morre alguma figura pública: se não bastasse a verdadeira encheção de saco da mídia e seus programas sensacionalistas abordando o tema até quando não tem mais o que abordar, agora somos obrigados a lidar com a imensidão de “fãs de carteirinha recém-nascidos” do tal artista falecido, entupindo nossa timeline com verdadeiras escrotices em formas de homenagem.

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E cadê aqueles fãs todos que vimos em março?

Antes que você se revolte contra a minha pessoa e já desça em direção aos comentários e comece a me xingar, calma. Leia o texto todo, só então depois me xingue.

Em primeiro lugar não concordo em partes com o baixista do Kiss, só usei o exemplo de seu comentário por ele me fazer pensar mais a fundo sobre como certas pessoas lidam com estes acontecimentos. Não sou fã de Nirvana, muito menos do Kurt Cobain, nunca gostei de suas músicas, mas a banda teve certa relevância para a música sim. E mais, marcou a época grunge no início dos anos 90 juntamente com outras bandas. Independente de seu vocalista estar vivo ou morto. Quanto à Amy Winehouse eu já a considerava um ícone, uma grande voz, mesmo antes de seu falecimento, que a propósito já era uma tragédia anunciada, uma bomba-relógio, tendo em vista a vida que a cantora levava. Acredito que não seja a quantidade de álbuns gravados que determinem a relevância ou não de um artista no mundo da música, ou a quantidade de filmes, por exemplo, de um ator ou uma atriz que tenha falecido.

Voltando ao comentário de Gene Simmons, existe apenas uma frase em sua declaração que me faz concordar com ele, a parte do “Só porque você morreu isso faz de você um ícone? Não, não.”  E sabe por quê? Porque existe um grupo de pessoas que simplesmente a-do-ra estar por dentro dos últimos acontecimentos e têm zero de conteúdo dentro de suas cabecinhas fúteis e vazias e agora com as redes sociais bombando, têm a “obrigação” de se fazer de entendido, fã e ozescambau. “Ah fulano morreu, vou correr pra baixar a discografia dele e me autointitular fã número 1, entupindo a timeline dos pobre-coitados com homenagens descabidas, uma atrás da outra.”

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Reprodução: Blog 100 Nexo.

NÃO ESTOU DIZENDO QUE PORQUE O MÚSICO OU ATOR, OU SEJA LÁ O TIPO DE ATIVIDADE QUE A PESSOA EXERCEU EM VIDA MORREU, QUE VOCÊ ESTÁ TERMINANTEMENTE PROIBIDO DE SE TORNAR FÃ. Não é isso. Afinal, como eu explicaria ser tão fã do Doors, cujo vocalista faleceu dez anos antes do meu nascimento, ou do Elvis, que morreu antes da minha pessoa sequer pensar em existir? Não é isso. Mas sabemos que infelizmente existem aqueles seres que correm pra curtir a página do artista assim que ficam sabendo de seu falecimento e ficam postando e postando e postando APENAS naqueles dois dias depois da notícia da morte. E depois nem se lembram mais do ocorrido. Eu, hein?

Pergunta que fica: Vocês que fazem isso, por que fazem? Por que então realmente não procuram se dedicar a explorar ao máximo o trabalho deste artista e realmente conhecê-lo, ao invés de ficar pagando de fã temporário?

Eu não entendo vocês, realmente não entendo. Mas é claro que sempre existirão estas pessoas e muitos outros posts do tipo ainda entupirão a minha, a sua, a nossa timeline de cada dia! O melhor a fazer é utilizar a ferramenta mágica (uma das melhores invenções do século, diga-se de passagem) e cancelar as atualizações dos coleguinhas sazonais.

Pronto! Você já está autorizado (a) a me xingar no comentários abaixo. Um forte abraço e uma boa semana! (y)

Postado ao som de Black Sabbath, com o álbum Mob Rules (1981).

Sobre rosegomes

Rose,Tia Rose, Desert Rose ou só Desert, como quiser. Estudante de jornalismo, amante de boa música e boa bebida. Traz no currículo a pretensão de ser um Fábio Massari de saias. Contato: cademeuwhiskey@gmail.com
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6 respostas para Morreu e agora? Virei fã!

  1. Petrick Tony disse:

    Muito bom!

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  2. Virei seu fã e vc nem morreu!!!! Rose, adorei o texto e concordei e me vi na mesma situação quando vc declarou seu amor ao Doors e a Jim Morrison. Sou um fã declarado dos Stones…porém faz um 4 anos que uma banda surgiu na minha vida e nivelou-se a banda de Jagger e Richards em minha paixão: o Love e seu incontestável lider Arthur Lee. Lee era truta do Hendrix, inspiração do Morrison e tem como fâ ninguém menos que Ian Hunter (Mott The Hoople) e Robert Plant. Sua história é singular (sugestão para vc conhecer) e os albuns de sua banda são antológicos. Porém tem aquele velho meme rockeiro de botique do Facebook do “Eu escuto pessoas mortas” que queima o filme e literalmente mina o intelecto de certos “entendidos”. Afinal…Wolfmother, Pixies, Sonic Youth ou porque não dizer Black Sabbath e Rolling Stones estão ai…não estão?

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  3. Jorge Takeda disse:

    A morte continua sendo a melhor publicidade!

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