Marvin Gaye, o soberano do soul

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“Eu canto sobre a vida.” –  Marvin Gaye.

A black music é sem dúvida uma vertente bastante rica e abrange estilos musicais que variam entre o soul, o funk e o R&B e como toda vertente tem seu representante mor, aquele que sempre lembramos em primeiro lugar quando falamos sobre o assunto. Pensando nisso, hoje resolvi falar sobre  Marvin Gaye, “apenas” o maior expoente do soul .

A trajetória do cantor, sempre marcada pelo sucesso, teve um desfecho trágico e surpreendentemente triste para seus fãs, dessas coisas que só acontecem com músicos que deveriam ser eternos, mas que acabam por eternizar sua obra por aqui.

O pequeno Marvin Pentz Gay Jr. (sim, seu sobrenome original era Gay, e como músico ele acrescentou a letra E para evitar boatos sobre sua sexualidade ) nasceu em Washington no ano de 1939 e aos 3 anos já cantava no coral da igreja que a família frequentava, chamada House of God (a “Casa de Deus”). Aprendeu a tocar diversos instrumentos e a música o ajudou a enfrentar uma infância violenta por conta das agressões que sofria de seu pai. Em sua juventude Marvin chegou a se alistar na Força Aérea Americana, mas o grande barato dele era mesmo a música e após fingir sofrer de transtornos mentais, foi dispensado do serviço. Aí é que a carreira do cantor começa pra valer.

Marvin Gaye passou por diversos grupos  de doo woop, estilo musical baseado no R&B, que se tornou bem popular na década de 50, entre eles o The Marquees e o The Moonglows. No início da década de 60 o músico conheceu Berry Gordy, presidente da gravadora Motown Records e a partir daí sua trajetória mudaria radicalmente. Quem ouve a bela voz de Gaye não imagina que seus primórdios na Motown tenham sido apenas como baterista. Ele tocou em estúdio para grupos como  The Miracles, Martha and the Vandellas e The Marvelettes, tendo neste último participado de “Please Mr. Postman”, grande sucesso da década de 60. Em junho de 1961 o cantor gravou seu primeiro disco – o segundo LP lançado pela recém criada gravadora  Motown – intitulado The Soulful Moods of Marvin Gaye, que não chegou às paradas, mas apresentava belas músicas como How Deep Is the Ocean? e Always.

Marvin portrait

Ainda na década de 60, Gaye gravou com diversas cantoras de soul como Mary Wells e Kim Weston, mas a grande parceria do músico viria com a talentosa Tammi Terrell, com quem ele se relacionava muito bem. A química entre os músicos era notória e juntos gravaram o clássico álbum United, de 1967 que traz uma das maiores canções da soul music, a graciosa Ain’t No Mountain High Enough. No ano seguinte foi a vez da dupla lançar o bem sucedido You’re All I Need, que trazia faixas como Ain’t Nothing Like the Real Thing  e You’re All I Need to Get By. O último trabalho da parceria viria em 1969 com o disco Easy, mas como Tammi estava com sua saúde debilitada devido a um tumor cerebral, muitas canções com a intérprete foram substituídas pela voz de Valerie Simpson.

Infelizmente Tammi faleceu em março de 1970, o que deixou Gaye extremamente deprimido e o cantor ficou por quase dois anos sem se apresentar ao vivo. Em 1971 o músico gravou o álbum What’s Going On, um verdadeiro clássico e um de seus maiores sucessos, que conta com as faixas Mercy Mercy Me, What´s Happening Brother e a incrível faixa- título.

A discografia de Gaye é bastante extensa ultrapassando os 30 álbuns – entre trabalhos de estúdio, coletâneas e ao vivos – mas um dos últimos álbuns de grande expressão do músico foi sem dúvida Midnight Love, de 1982, disco que marcou a estreia do cantor na gravadora Columbia Records e que traz a embalante Sexual Healing, além de faixas muito bem trabalhadas como Joy e My Love is Waiting. Este disco lhe rendeu dois Grammys: melhor performance R&B masculina e melhor R&B instrumental.

Marvin Gaye saiu de cena no dia 1º de abril de 1984, um dia antes de seu 45º aniversário, após uma briga com seu pai. Marvin Pentz Sr. atirou em seu filho com um revólver calibre 12 que havia por ironia ganhado do próprio e assim interrompeu a vida de um dos mais talentosos intérpretes da música negra de todos os tempos.

Dentre os inúmeros trabalhos de Gaye eu destaco as músicas  How Sweet it is to be Loved by You, I Heard It Through The Grapevine, I Wish It Would Rain, That´s The Way Love Is, Let´s Get It On, My Mistake (Was To Love You) e    You’re All I Need To Get By (estas duas últimas com Diana Ross e Tammi Terrell, respectivamente),entre muitas outras.

Se estivesse vivo atualmente Marvin Gaye certamente estaria produzindo e nos presenteando com suas belas canções e sua voz única. Mas felizmente a música é eterna e podemos aproveitar o que de melhor este grande rei do soul nos deixou.

Postado ao som de Marvin Gaye, claro, com o álbum I Heard It Through The Grapevine (1968).

Sobre rosegomes

Rose,Tia Rose, Desert Rose ou só Desert, como quiser. Estudante de jornalismo, amante de boa música e boa bebida. Traz no currículo a pretensão de ser um Fábio Massari de saias. Contato: cademeuwhiskey@gmail.com
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