See me. Feel me. Touch me. Heal me: TOMMY

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Tommy: enredo encantador, mas filme cansativo.

Estes dias assisti a um filme que há muito queria ver e nunca me lembrava. Ainda criança cheguei a ver algumas poucas cenas mas não entendia nada e aquela lembrança vez por outra me vinha à cabeça, até que resolvi que teria que assisti-lo logo pra entender melhor a história que sempre lia por aí. E lá fui eu assistir ao filme Tommy, baseado no álbum de mesmo nome, do The Who.

O ano era 1969 e a banda The Who lançava seu quarto álbum, a ópera rock Tommy, composta  quase que completamente pelo guitarrista do grupo, Pete Townshend e com duas canções do baixista John Entwistle. O disco duplo – nomeado em 2003 pela VH1 como o Melhor Álbum de Todos os Tempos – conta através de 24 faixas a história de Tommy Walker, um menino de 7 anos que ao presenciar o assasinato do amante de sua mãe é forçado a pensar que não viu, não ouviu e não falará nada a ninguém, o que culmina na cegueira, surdez e mudez do garoto, que anos mais tarde se torna o rei do pinball e se cura de suas deficiências. 

Três anos depois a Orquestra Sinfônica de Londres lançava uma nova versão do álbum com a participação de Pete Townshend nas guitarras e grandes nomes como Steve Winwood, Rod Stewart e o ex-beatle Ringo Starr interpretando as versões orquestradas.

O filme

Em 1975 o diretor Ken Russell rodou a versão cinematográfica do trabalho da banda com algumas adaptações, tornando Tommy a primeira ópera rock a ser produzida. O enredo do filme é quase o mesmo do disco, só que o garoto Tommy (interpretado quando adulto por Roger Daltrey, vocal do Who), de 7 anos presencia o assassinato do pai pelas mãos de seu padrasto (ao contrário da versão do álbum) e fica cego, surdo e mudo, vivendo num mundo paralelo e sendo constantemente abusado por seus parentes. Em certo momento da vida o rapaz se depara com uma máquina de pinball e acaba por se tornar um grande campeão do jogo, angariando fãs por toda a parte. Tommy ao quebrar um grande espelho recupera seus sentidos e é visto por todos como um novo Messias, um salvador que lidera uma legião de jovens que tempos depois se revolta contra o rapaz.

O filme é recheado de participações de grandes nomes como Eric Clapton, Tina Turner, les paul guitar playersElton John e o ator Jack Nicholson. Clapton, (na foto ao lado) por exemplo, é o ministrante na missa que acontece numa igreja onde uma enorme imagem de Marilyn Monroe representa Jesus, numa clara crítica ao messianismo. Já Tina Turner interpreta a “Acid Queen”, contratada pelo padrasto de Tommy para prestar “serviços” ao rapaz e tentar curá-lo. A participação de Elton John é um dos pontos altos do filme. O músico interpreta um jogador de pinball calçando grandes sapatos psicodélicos que joga e canta ao mesmo tempo, enquanto o The Who toca ao fundo e Tommy faz milhares de pontos em sua máquina de pinball, vencendo Elton. Nicholson por sua vez, interpreta um médico que tira as esperanças da cura de Tommy e tenta seduzir sua mãe.

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Tina Turner como “Acid Queen” : MEDO.

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He’s a pinball wizard!

Confesso que esperava um pouco mais do filme. Talvez por ter sido produzido ainda nos anos 70 ele não tenha tantos efeitos nem aquele apelo mais dramático que senti em The Wall, por exemplo e em certo momento se torna cansativo, mas o enredo sem dúvida é encantador.

Em 1993, quase vinte anos depois da estreia do filme, a ópera rock ganhou uma versão musical para a Broadway escrita por Townshend e pelo diretor Des MacAnuff e faturou o Tony Award daquele ano. Quanto ao músico Roger Daltrey, o Tommy do cinema, recentemente ele declarou à edição gringa da revista Rolling Stone que não se sentiu nem um pouco à vontade no papel principal da versão cinematográfica do álbum. “Eu nunca tinha percebido a diferença entre o que se chama de estrela de cinema e estrela de rock. Foi muito difícil de lidar até um, dois anos depois daquilo. Mas no final das contas, eu estava determinado a ficar com o The Who durante toda a montanha-russa da época. Foi uma loucura. Pessoas te tratam diferente e você pensa ‘Eu não quero ser tratado diferente. Eu só quero estar em uma banda de rock’… As pessoas me chamavam de Tommy, isso enchia meu saco.”

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Reclamações e mimimis à parte, é importante ressaltar a mensagem que a história de Tommy quer nos passar, a de que devemos libertar nossa alma de tudo aquilo que a sociedade nos impõe; suas obrigações, seus vícios, o fanatismo religioso, os conflitos que vivemos interiormente. Devemos nos “alforriar” e viver sensações que apenas a liberdade pode nos trazer.

Fica a dica. =D

Sem título

“Listening to you, i get the music. Gazing at you,i get the heat. Following you, i climb the mountains. I get excitement at your feet.”

Postado ao som do The Who, com “Tommy” (1969).

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Sobre rosegomes

Rose,Tia Rose, Desert Rose ou só Desert, como quiser. Estudante de jornalismo, amante de boa música e boa bebida. Traz no currículo a pretensão de ser um Fábio Massari de saias. Contato: cademeuwhiskey@gmail.com
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