Songs of Innocence e o dia em que o U2 quase me matou do coração

Eles voltaram e muito melhor do que antes!

Eles voltaram e muito melhor do que antes!

Era uma vez uma terça-feira em que minha pessoa – em meio à um turbilhão de problemas e coisas a serem resolvidas – nem deu muita importância ao anúncio lido dias antes sobre uma participação do U2 (banda do coração desta que vos escreve) na coletiva de imprensa da Apple, que entre outras coisas lançaria o novo iPhone. O que passava pela minha cabeça naquele dia 9 (e que passou por todas as cabeças aficionadas pela banda) é que Bono & cia apenas lançariam um single e muito provavelmente apresentariam a nova canção numa bela performance ao vivo. Mas não. De repente sou informada (através das muitas transmissões dozamigo no twitter), que a banda acabara de disponibilizar gratuitamente  o tão aguardado novo trabalho (foram 5 anos de espera e ansiedade!), pelo iTunes. E lá vamos nós!

No maior lançamento de um álbum feito na história – cerca de 500 milhões de cópias foram disponibilizadas e 100 milhões de euros pagos ao grupo pela Apple – “Songs of Innocence” entra de vez no hall das super produções fonográficas, não só por sua estreia relâmpago, como especialmente pela alta qualidade instrumental das canções e conteúdo de suas letras.

Antes de escrever sobre este disco eu me perguntei o quão difícil seria pra mim, uma apaixonada pela banda, resenhar sobre um álbum que me pareceu tão perfeito, sem soar como uma fanática xiita. E a única resposta que encontrei é que eu deveria expor minhas impressões da maneira mais franca possível, principalmente comigo mesma, não importando o que fosse parecer. Então tá né?

Songs of Innocence: belo disco, capa, nem tanto.

Songs of Innocence: belo disco. Capa, nem tanto.

Songs of Innocence é aquele tipo de registro que entra com louvor na lista de excelentes álbuns por preencher um dos requisitos – talvez o mais importante – para se tornar um trabalho apaixonante: é daqueles discos de se ouvir por inteiro, do começo ao fim, sem pular uma única faixa. E não é exagero.

Os caras resgataram sua musicalidade original, adicionaram letras embaladas por um clima nostálgico e pitadas de influências não só das antigas, como atuais. Não é a toa que Bono declarou recentemente à edição gringa da Rolling Stone que o disco é “bastante pessoal”. “Todo o disco é sobre nossas primeiras jornadas – primeiras viagens geograficamente falando, espiritual, sexual. E foi difícil. Mas nós conseguimos.” Talvez por isso Innocence soe como um disco conceitual, apesar do vocalista ter negado tal afirmação.

Conceitual ou não, SOI traz onze faixas carregadas de uma sonoridade U2niana singular, que qualquer apaixonado por meia dúzia das boas músicas  da banda irlandesa reconhece e destes 11 tracks vou destacar com maior euforia “The Miracle (of Joey Ramone)”,  single apresentado ao  vivo na coletiva da Apple e como o nome sugere, homenageia o vocalista da banda punk Ramones, uma das grandes influências de Bono, além de contar com o riff distorcido (e único) de The Edge:

A velha conhecida dos fãs do grupo, “Every Breaking Wave” (que a princípio faria parte de Songs of Ascent, uma espécie de continuação do álbum No Line on the Horizon que não chegou a vingar), mas que voltou completamente repaginada: melodia e letras alteradas numa sonoridade bem mais encantadora que a original; a bela e delicada “Song for Someone”, que traz Edge num papel importante: violão leve, riffs chorosos e backing vocal sutil.

Já “Iris (Hold Me Close)” é umas das canções de maior sensibilidade do disco, nela Bono canta sobre sua mãe Iris, trazendo à tona a maior identidade musical da banda: a guitarra única que em certos momentos faz lembrar Pride e Where The Streets Have No Name, grandes clássicos oitentistas do quarteto. Em “Volcano” é a vez de se evidenciar o belo baixo de Adam Clayton. A faixa tem batida semelhate à do Black Keys, lembrando em certos momentos Glastonbury, música apresentada pela banda durante a última turnê. “Raised by Wolves”, que traz baixo e batera bem sincronizados, tem refrão forte e letra politizada, enquanto “This Is Where You Can Reach Me” revela a empolgação dos integrantes do U2 então adolescentes, após assitir a um show do The Clash nos anos 70. O instrumental é fabuloso, swuingado e melodioso. Os riffs brindam claramente à banda de Joe Strummer.

Dentro de alguns meses, segundo o vocalista anunciou através do site oficial da banda, um novo álbum – “Songs of Experience” – deve chegar ao mercado como a continuação de “Songs of Innocence”. O que fica é a ansiedade e ao mesmo tempo o agradecimento por um trabalho tão empolgante que surpreendeu esta velha fã que honestamente não imaginava se apaixonar tanto por um álbum (inteiro) desde Achtung Baby, de 1991.

Songs of Innocence – 2014:

1 – “The Miracle (of Joey Ramone)”

2 – “Every Breaking Wave”

3 – “California (There Is No End to Love)”

4 – “Song for Someone”

5 – “Iris (Hold Me Close)”

6 – “Volcano”

7 – “Raised by Wolves”

8 – “Cedarwood Road”

9 – “Sleep Like a Baby Tonight”

10 – “This Is Where You Can Reach Me”

11 – “The Troubles”

★★★★★

Postado ao som do mencionado álbum: U2 – Songs of Innocence (2014)

Sobre rosegomes

Rose,Tia Rose, Desert Rose ou só Desert, como quiser. Estudante de jornalismo, amante de boa música e boa bebida. Traz no currículo a pretensão de ser um Fábio Massari de saias. Contato: cademeuwhiskey@gmail.com
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