Otis Redding, a encantadora voz do soul

"There is beauty in simplicity whether you are talking about architecture, art or music." - Otis Redding

“There is beauty in simplicity whether you are talking about architecture, art or music.” – Otis Redding.

Se a sensibilidade e a doçura da soul music podem ser representadas por uma voz, esta sem dúvida é a de Otis Redding, um dos melhores intérpretes que o estilo já conheceu. Mesmo com uma breve carreira – interrompida precocemente aos 26 anos num desastre aéreo – o legado deixado por Redding à música é inegável (e altamente admirável).

Nascido Otis Ray Redding Jr em setembro de 1941, o americano deu indícios de seu talento musical logo cedo, ainda na infância, ao participar do coro da Vineville Baptist Church, igreja que frequentava com a família aos domingos, dia em que seu pai pregava. Já na adolescência surpreendeu a pequena cidade de Macon, Georgia, ao ganhar o show de talentos do “Douglass Theatre” por 15 semanas seguidas, o que acabou gerando sua desclassificação do concurso.

Influenciado por Little Richard, Redding iniciou sua carreira no início dos anos 60, aos 18 anos, junto ao Johnny Jenkins and the Pinetoppers, dividindo seu tempo como músico e motorista do grupo. Nesse meio tempo conseguiu gravar suas primeiras canções, “Fat Gal” e “Shout Bamalama” com sua outra banda, Otis Redding and the Pinetoppers. Mas foi em 1962, durante um  intervalo das gravações dos Pinetoppers que Otis viu sua carreira decolar. O músico aproveitou para gravar “These Arms of Mine” e “Hey Hey Baby”, suas composições próprias e acabou conseguindo um contrato com a gravadora Volt.

Pain in My Heart, primeiro álbum de Otis Redding foi lançado em 1964. Nos anos seguintes ele lançaria The Great Otis Redding Sings Soul Ballads, Otis Blue: Otis Redding Sings Soul, The Soul Album, Complete & Unbelievable: The Otis Redding Dictionary of Soul e King & Queen, conquistando de vez uma legião de fãs nos quatro cantos do mundo, principalmente na Inglaterra e EUA, o que lhe valeu o convite para se apresentar em um dos festivais mais importantes da época, o Monterey, realizado em junho de 1967 na Califórnia.

Ao lado de grandes nomes do rock como Jimi Hendrix, The Who e Big Brother and the Holding Company, Otis Redding fez uma apresentação memorável levantando o público com seu swing único. Hits como Shake”, Respect, “I’ve Been Loving You Too Long (To Stop Now)”, “Try A Little Tenderness” e o cover dos Stones, “Satisfaction”, sacudiram o palco embalando não somente a plateia como o próprio músico que disse não querer ir embora. Não foi à toa que o ex-guitarrista dos Stones, o finado Brian Jones, declarou que “Nem por 1 milhão de libras subiria ao palco depois de Otis Redding!”

A experiência de Monterey deixou uma bela marca em Redding que compôs um de seus maiores sucessos (póstumos), a deliciosa “(Sittin’ On) the Dock of the Bay” na qual falava sobre deixar Georgia para se apresentar em São Francisco.

Em 10 de dezembro daquele mesmo ano, seis meses depois da lendária apresentação em Monterey, durante uma viagem para o Wisconsin, o avião em que Otis e sua banda de apoio, o The Bar-Kays estava sofreu uma pane, caindo no lago Monona. Apenas um dos músicos da banda sobreviveu.

>> Em tempo: a canção “Runnin’ Blue” do Doors foi escrita pelo guitarrista da banda, Robby Krieger, em homenagem a Otis.
“Poor Otis, dead and gone
Left me here to sing his song
Pretty little girl with the red dress on
Poor Otis, dead and gone.”

Redding deixou uma herança discográfica valiosa das quais destaco os álbuns Pain in My Heart de 1964, que conta com a clássica “Stand By Me”, além das incríveis “You Send Me” e “Security”; Otis Blue: Otis Redding Sings Soul que traz “Respect”, I’ve Been Loving You Too Long” e “Shake”, além do disco póstumo The Dock of the Bay, de 1968, que contém um de seus maiores sucessos, a já citada “(Sittin’ On) the Dock of the Bay”, além das ótimas “Let Me Come on Home”, “Don’t Mess with Cupid” e o delicioso blues “Nobody Knows You (When You’re Down and Out)”, um cover da década de 20 de Jimmy Cox.

Vale a pena tirar uma ou duas horinhas do seu dia pra apertar o play e deixar rolar uma das vozes mais encantadoras do soul.

Abaixo, uma performance memorável de Redding, gravada um dia antes de sua morte, em dezembro de 1967:

 

Postado ao som do álbum “Dock of the Bay” (1968) – Otis Redding.

Sobre rosegomes

Rose,Tia Rose, Desert Rose ou só Desert, como quiser. Estudante de jornalismo, amante de boa música e boa bebida. Traz no currículo a pretensão de ser um Fábio Massari de saias. Contato: cademeuwhiskey@gmail.com
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2 respostas para Otis Redding, a encantadora voz do soul

  1. xavisxavier disse:

    Seus posts sao otimos. Vou seguir seu conselho e dedicar duas horinhas a uma degustacao sonora de Ottis.

    Curtir

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