O incrível som diabólico do Coven

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No final dos anos sessenta a jovem América vivia sob a forte pregação do lema “paz e amor” num cenário hippie flower-power com direito a muito sexo, drogas e rock and roll. Foi neste período que surgiu o Coven, banda que, ao contrário de tudo o que se estava fazendo naquele momento, escolheu usar de temas ocultos e satânicos em seu trabalho, através dos primeiros acordes do que tempos depois viria a ser o Heavy Metal. 

A formação do Coven  contava com a loiríssima Jinx Dawson nos vocais, Chris Neilsen na guitarra, Rick Durrett no teclado, (mais tarde substituído por John Hobbs), o batera Steve Ross e no baixo Oz Osborne, (que apesar da semelhança do nome não tem nenhum tipo de parentesco com nosso amigo Ozzy Osbourne). Os integrantes da banda estudavam sobre ocultismo e estavam sempre envoltos a assuntos ligados ao “coisa-ruim”, além de tudo se diziam satanistas praticantes.

Pra quem não sabe, a origem do “Sinal dos Chifres” ou “Sign of the Horns”, popularizada pelo mestre Ronnie James Dio, veio desta banda, como se pode conferir no encarte de seu primeiro disco (foto acima) “Witchcraft Destroys Minds & Reaps Souls”, de 1969. Inclusive Dawson sempre iniciava e terminava seus shows fazendo esse sinal, isso já em 1968, época em que abriam para diversos nomes como os Yardbirds, Vannila Fudge e mais tarde Alice Cooper.

Os americanos lançaram quatro álbuns, os quais falarei rapidamente abaixo. Dá um confere:

Witchcraft Destroys Minds & Reaps Souls (1969) – Álbum de estreia da banda e traz além de suas letras de adoração ao capeta  um instrumental incrível e uma belíssima interpretação de Jinx Dawson, que em certos momentos se assemelha ao vocal de Grace Slick (Jefferson Airplane). Os destaques do disco debut dos caras ficam com Black Sabbath (mais uma vez se trata apenas de uma coincidência), que traz viradas interessantíssimas da batera e bela combinação de guitarra e teclado, White Witch of Rose Hall, For Unlawful Carnal Knowledge (o instrumental psicodélico da época em contrapartida à letra tétrica traz uma combinação bastante interessante), Wicked Woman (excelente baixo e vocal) e Dignitaries of Hell  com uma guitarra que merece certa atenção.

Coven (1972) – Temos nesse trabalho homônimo o baixo como grande destaque, o que podemos perceber com mais intensidade nas faixas Shooting Star, Natural Love, What Can I Get Out of You e Dark Day in Chitown. O segundo álbum da banda também traz o guitarrista Chris Neilsen fazendo o vocal em diversas canções.Com letras mais “tranquilas” e uma regravação de One Tin Soldier do grupo Original Castle, o Coven alcançou boas posições na Billboard  com esse segundo disco que apresenta um estilo mais hard rock e remete a bandas como  Free e  Nazareth nas faixas Lonely Lover e Washroom Wonder.  Destaco ainda a bela Nightingale e  a pesadinha Nobody´s Leavin´Here Tonight.

Blood on the Snow (1974) – O hard rock prevalece no terceiro trabalho da banda, especialmente nas faixas Don´t Call Me, Hide in Your Daughters e Blood on the Snow e traz uma interpretação mais vibrante e potente de Dawson, que em Easy Evil lembra  bastante  os vocais de Ann Wilson (Heart). As “mais calmas” This Song Is For All You Children (riffs simples porém cheio de encanto), Blue, Blue Ships e I Need a Hundred of You (que me lembrou muito Fleetwood Mac) também merecem ser ouvidas com louvor.

Metal Goth Queen-Out of the Vault (2008) –  O último e mais recente trabalho da banda traz o regresso do tema satanista em algumas canções e participações de músicos consagrados como Michael Monarch (Steppenwolf), Glenn Cornick (Jethro Tull) e Tommy Bolin (Deep Purple).
As músicas que destaco deste trabalho são Got Queen Greeting, que traz pela primeira vez na banda a presença de elementos eletrônicos, a gostosa balada Midnigh Man numa jogada hard rock em que mais uma vez a lembrança do Heart se faz notar e  Out of the Rain, a mais pesada do álbum que ainda traz Tender is the Night, Hot On your Heels, Livewire e a polêmica Night People que é provavelmente o som que mais fugiu do estilo dos caras, caindo num pop levemente eletrônico e sem nexo, se comparado com o restante do trabalho desenvolvido pela banda.

O que se pode perceber através da curta discografia do grupo é que eles começaram fazendo um heavy metal cru e pesado, sendo aos poucos podados pela então mídia da época, o que acabou resultando num hard rock mais leve como resultado final, sem deixar é claro, de perder a qualidade.

*Texto originalmente postado por essa que vos escreve no TRMB, com ligeiras alterações e muito amor no coração.

 

Postado ao som do álbum já citado Witchcraft Destroys Minds & Reaps Souls (1969), Coven.

Sobre rosegomes

Rose,Tia Rose, Desert Rose ou só Desert, como quiser. Estudante de jornalismo, amante de boa música e boa bebida. Traz no currículo a pretensão de ser um Fábio Massari de saias. Contato: cademeuwhiskey@gmail.com
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Uma resposta para O incrível som diabólico do Coven

  1. Engel Rauchen disse:

    Uma banda que faço questão de dizer que tive o privilégio de descobrir,assim como o primeiro álbum,adoro os outros três,claro que nada se compara ao primeiro,convenhamos,mas todos merecem uma atenção especial.Sou louca pra encontrar as letras,mas nunca acho,principalmente de uma das minhas músicas preferidas: Black Swan,e como não domino o inglês,vai ser difícil,enfim,lamentações a parte,é bom encontrar pessoas que curte Coven.Parabéns pelo gosto.

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