Bons álbuns do rock nacional através das décadas: 1960

Bons álbuns do rock nacional  através das décadas 1960

Começo aqui uma série sobre bons discos nacionais ao longo das décadas. Como sempre, quero deixar registrado que a escolha das minhas listas reflete única e exclusivamente a minha opinião pessoal e tem como principal propósito levar aos leitores deste humilde blog algumas boas dicas de álbuns que foram importantes para a história da nossa música, e que talvez muitos não conheçam.

Apesar do rock nacional ter nascido ainda na década de 50 com regravações de hits gringos da época e algumas poucas canções autorais, foi somente bem no finzinho dos anos 60, em meio à explosão dos movimento da Jovem Guarda, do Tropicalismo e ainda, do rock psicodélico, progressivo e experimental, que surgiram os primeiros registros fonográficos de grande expressão. São eles:

Ronnie-Von 1968Ronnie Von – “Ronnie Von” (1968): Muitos se espantam ao saber que Ronnie Von foi um dos pioneiros do rock progressivo/psicodélico brasileiro. Muito à frente de seu tempo, numa época em que se cantavam os romances da Jovem Guarda para uma juventude alienada que não fazia ideia do que se passava no cenário político de seu país, Ronnie lançou um dos mais interessantes álbuns da década. Autointitulado, o  disco de 1968 traz sonoridade psicodélica e progressiva mesclada ao tropicalismo, o que fica evidente num instrumental “viajandão”, com guitarras cruas e arranjos experimentais. Um som que dificilmente você imaginaria que alguém pudesse fazer por aqui naquela época.

Os destaques ficam por conta das faixas Silvia: 20 horas, Domingo;  Esperança de Cantar; Anarquia (que chamava a juventude para ir às ruas em plena Ditadura Militar); Tristeza Num Dia Alegre e Contudo, Todavia.

 

Mutantes-1968Os Mutantes – “Os Mutantes” (1968): O tio Ronnie também foi peça fundamental para a carreira dos Mutantes, uma das mais importantes bandas brasileiras de todos os tempos. Pra quem não sabe, foi o cantor o responsável pelo lançamento dos caras na TV e por “batizar” o grupo que até então se chamava Os Bruxos. O nome Mutantes veio do livro O Império dos Mutantes, de Stefan Wul, que Ronnie estava lendo na época. O autointitulado álbum debut lançado em 1968 é um dos mais clássicos do rock nacional e grande responsável por influenciar músicos dos quatro cantos do mundo.

Guitarras cruas e distorcidas, efeitos  experimentais produzidos no estúdio, abuso criativo da sonoplastia, muita psicodelia e uma oscilação precisa de ritmo marcam as 11 faixas deste disco inovador, das quais destaco Panis et Circenses; A Minha Menina; Baby; Senhor F e Tempo no Tempo.

 

Ronnie-Von-A-Misteriosa-Luta-do-Reino-de-Parassempre-Contra-o-Império-de-Nuncamais-1969Ronnie Von – “A Misteriosa Luta Do Reino De Parassempre Contra O Império de Nunca Mais” (1969): Seguindo a linha psicodélica /progressiva de seu trabalho anterior,  Ronnie Von lança A Misteriosa Luta Do Reino De Parassempre Contra O Império de Nunca Mais, disco que traz claras influências das bandas inglesas Beatles e Blossom Toes, grupo este que fazia um rock obscuramente psicodélico no final dos anos 60. Um dos objetivos do músico era transmitir o movimento Surrealista através das faixas do álbum, fazendo de cada canção verdadeiras pinceladas musicais. Com um instrumental muito bem elaborado, composto de guitarras melódicas e baixo marcante, o álbum traz além de composições originais, algumas regravações  sob uma roupagem mais interessante, caso da última faixa, Comecei Uma Brincadeira, (I Started A Joke, do Bee Gees), que ganhou uma encantadora versão em português. Outros destaques deste belíssimo disco ficam a cargo das faixas De Como Meu Héroi Flash Gordon Irá Levar-Me de Volta à Alpha do Centauro Meu Verdadeiro Lar; Pare de Sonhar com Estrelas Distantes; Onde Foi (Morning Girl); Mares de Areia e Rose Ann.

 

Os Mutantes - Mutantes (1969)Os Mutantes – “Mutantes II” (1969): Abusando de técnicas experimentais das mais variadas origens, os Mutantes surgem com o volume dois, fechando a década. O disco, que foi gravado em apenas uma semana e meia e chegou a ser lançado nos EUA por uma gravadora gringa, se destaca pela originalidade, criatividade e linguagem muito bem humorada, fortes características da banda. O instrumental ousado, inovador e a mistura de ritmos fazem deste álbum um dos mais aclamados da banda.

As faixas Não Vá Se Perder Por Aí; Dois Mil e Um;  Qualquer Bobagem e Caminhante Noturno são os grandes destaques desta grande pérola nacional, que influenciou uma verdadeira legião de músicos mundo afora.

 

Postado ao som do álbum “Mutantes II” (1969) – Os Mutantes.

Sobre rosegomes

Rose,Tia Rose, Desert Rose ou só Desert, como quiser. Estudante de jornalismo, amante de boa música e boa bebida. Traz no currículo a pretensão de ser um Fábio Massari de saias. Contato: cademeuwhiskey@gmail.com
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