3 preciosidades setentistas da música brasileira que você precisa ouvir

A década de 70 guarda inúmeros tesouros musicais que nem tanta gente assim conhece. Bons exemplos ficam a cargo das bandas Azimüth, que mais tarde viria a se chamar Azymuth e que fez uma carreira internacional muito bem sucedida; Moto Perpétuo, que fazia um som progressivo cheio de influências de grandes nomes do estilo e trazia como compositor e vocalista o já conhecido Guilherme Arantes; e a Vímana, banda progressiva de excelente qualidade, que entre seus integrantes contava com Lulu Santos, Lobão e Ritchie. 

Pois bem, qual seria a missão deste humilde blog? Desbravar este até então desconhecido território e mostrar para você, meu amado leitor, quanta coisa boa nossos músicos fizeram num passado nem tão distante assim. E é de se surpreender viu?!

Azymuth: O grupo carioca surgiu em 1973, trazendo em sua sonoridade uma rica mistura de jazz, samba, funk e rock, que de maneira singular deu e muito certo.

Formada pelos músicos José Roberto Bertrami (teclados), Alex Malheiros (baixo) e Ivan Conti “Mamão” (batera), conhecidos por tocar com grandes artistas da MPB, como Raul Seixas e Tim Maia, a banda Azymuth herdou o nome de uma canção que é parte da trilha sonora do filme O Fabuloso Fittipaldi (1973).

Durante a década de 70, os caras gravaram dois álbuns e no ano de 1977 veio o convite para tocar no Festival de Montreaux, na Suíça. O Azymuth seria o primeiro grupo brasileiro a tocar neste evento, que abriu as portas para uma bem sucedida carreira internacional que dura até hoje. Entre os mais de vinte álbuns gravados pela banda, que no decorrer dos anos revolucionou o Acid Jazz, destaco com maior relevância os dois primeiros: Azimüth (1975, nessa época a banda ainda não havia alterado o nome) e Águia Não Come Mosca (1977), ambos gravados nos anos 70, antes da carreira internacional.

O primeiro traz como destaque as faixas Linha do Horizonte, Melô dos Dois Bicudos, Faça de Conta e Periscópio e dá um show de groove e efeitos psicodélicos, associado ao gingado do samba de raiz e funk.

Já no segundo trabalho dos músicos, os efeitos prog-rock e fusion se juntam à variedade de estilos musicais, resultando numa mistura surpreendentemente agradável, como se pode conferir nas incríveis e suingadas Voo Sobre o Horizonte, Tarde, A Presa e a melhor faixa do álbum, na minha humilde opinião, A Caça.

 

Moto Perpétuo: Quem conhece o músico Guilherme Arantes como intérprete de canções românticas sempre presentes em trilhas sonoras de novelas, jamais poderia imaginar que ele fez parte de uma grande banda do estilo progressivo nos anos 70: o Moto Perpétuo.

O grupo nasceu em 1973 e trazia além de Guilherme à frente do piano e vocais, o guitarrista Egydio Conde, o percussionista Diogenes Burani, o baixista Gerson Tatini e o multi-instrumentista Cláudio Lucci.

O som dos caras encontrou em alguns dos grandes nomes da cena progressiva – tanto dentro como fora do Brasil – suas maiores influências. King Crimson, Genesis, Yes, Premiata Forneria Marconi e as brazucas O Terço, Som Imaginário e Secos & Molhados são alguns bons exemplos desses nomes.

Foram somente dois álbuns lançados, dos quais destaco o primeiro, homônimo, gravado em 1974. O disco traz 11 faixas ao melhor estilo progressivo com letras sutis e um som bem elaborado. Os destaques vão para as faixas Conto Contigo, Três e Eu (num belíssimo trabalho instrumental), Não reclamo da chuva, Sobe e Turba.

A banda encerrou suas atividades em 1981, após o lançamento do segundo e último álbum, Dom Quixote.

 

Vímana: Muita gente não sabe, mas os músicos Lobão, Lulu Santos e Ritchie (sim, aquele da Menina Veneno) já foram colegas de banda. E que banda!

Criada em 1974, o grupo Vímana teve diversas formações, sendo a mais conhecida composta por Ritchie (flauta e vocais), Lulu Santos (guitarra e vocais), Luiz Paulo Simas (teclados), Lobão (batera), e Fernando Gama (baixo). O som – caracteristicamente progressivo – também sofreu influências da principais bandas prog da época (Yes, Genesis, Emerson, Lake & Palmer e por ai vai). Em 1977 os caras gravaram um disco pela gravadora carioca Som Livre, mas somente um compacto com duas ótimas faixas (Zebra e Masquerade) foi lançado. Quanto ao material do LP completo, a gravadora arquivou sob a alegação de “não haver público para o rock no Brasil”. Pode?

Há ainda outro álbum dos caras – On the Rocks – que traz um apanhado de registros (muitos deles ao vivo), feitos entre os anos de 1975 e 1977, do qual destaco as faixas Perguntas, On the Rocks, Cada Vez e Lindo Blue. Não encontrei este álbum disponível para download, só me restou ouvi-lo no Youtube e a qualidade não é lá essas coisas, mas dá pra perceber que o som dos caras era viagem pura!

A banda se dissolveria ainda no final dos anos 70, depois de se envolver num projeto com o tecladista suíço Patrick Moraz, (ex-Yes, ex-Moody Blues), que exigiu a expulsão de Lulu Santos do grupo.

PS: Veja no vídeo abaixo a declaração de Lulu sobre o episódio.

 

Postado ao som do álbum “On The Rocks” (1977), Vímana.

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Sobre rosegomes

Rose,Tia Rose, Desert Rose ou só Desert, como quiser. Estudante de jornalismo, amante de boa música e boa bebida. Traz no currículo a pretensão de ser um Fábio Massari de saias. Contato: cademeuwhiskey@gmail.com
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