Resenhas: Arcade Fire, Black Country Communion e Living Colour

O Arcade Fire voltou depois de 4 anos com Everything Now, trazendo um álbum dançante com sintetizadores e letras ácidas pra quem curte um bom indie. Já o Black Country Communion traz em BCC IV, seu 4º disco, todo o peso que só os mais experientes sabem fazer com precisão, excelente pra quem é chegado num hard rock ao melhor estilo classic rock. Blues com hip hop, R&B, hard rock e funk (de verdade, claaaro) marcam Shade, 6º trampo do Living Colour, um álbum cheio de ritmo e instrumental afiadíssimo.

Taí, essas são as 3 resenhas que trago pra quem quiser dar aquele confere maneiro.

 

Arcade Fire – Everything Now: Quatro anos depois de ter lançado o ótimo Reflektor, o Arcade Fire “volta ao combate” com Everything Now, 5º álbum da banda canadense.

Com 13 faixas contendo claras influências de grandes nomes da cena “dançante” como Abba e David Bowie, e letras ácidas que criticam nossa sociedade atual e seu imediatismo, o disco dividiu opiniões até mesmo entre os fãs dos caras.

Vários nomes estão por trás da produção de Everything Now. Além do próprio Arcade Fire e seu colaborador de longa data, Markus Dravs, estão Thomas Bangalter (Daft Punk), o músico britânico Steve Mackey (Pulp), Geoff Barrow (Portishead) e o produtor Eric Heigle. Talvez por isso ele possa soar tão confuso, mas ainda assim tem grandes momentos, como nas faixas Everything Now, Signs of Life; a suingada Chemistry; a paulada (seria apenas uma vinheta?) de Infinite Content que depois se transforma numa calmaria e a delicinha Good God Damn.

“O álbum é uma continuação de tudo o que coletamos ao longo dos anos, e somos orgulhosos disso. Não é sombrio, nem apenas dançante. O engraçado é que deixamos essa mistura de influências e sons de propósito, pois tem a ver com a ideia de diversidade do “conteúdo infinito”, a ideia central do disco”, contou o baterista Jeremy Gara, em entrevista ao jornal O Globo.

Everything Now não é um desastre, mas também não é um dos melhores trabalhos do Arcade Fire. É um álbum mediano, que tem seus pontos altos e algumas faixas mais fraquinhas.

★★★★

 

Black Country Communion – BCC IV: Peso. É isso que você encontra ao ouvir o novo álbum do Black Country Communion. Com 10 faixas, o disco traz uma bela mistura que, aliás, já é marca registrada da banda: o blues do guitarrista Joe Bonamassa, o hard rock deepurplezístico de Glenn Hughes e as pitadas de Led Zeppelin à bateria de Jason Bonham, BCC IV é um registro que prova que o bom rock não morreu.

“É uma combinação de todos os três álbuns. Ele soará como o BLACK COUNTRY COMMUNION. Quando você ouvir os primeiros acordes da música, você saberá que somos nós! Estamos muito focados no que devemos fazer e estamos fazendo um álbum de rock para os fãs de rock. Não estamos fazendo nada diferente do que nos propusemos a fazer desde 2010”, contou o baixista e vocalista Glenn Hughes, ao site gringo Icon vs. Ícon.

Entre as faixas que merecem destaque estão a potente Collide, The Last Song For My Resting Place, (que conta com os vocais de Bonamassa); Sway; a vibrante The Crow, com solos de baixo e guitarra muito bem elaborados; Wanderlust, com uma pegada mais AOR, traz o que seria talvez o melhor solo de guitarra do álbum; Love Remains (com uma pegada mais Led Zeppelin); e  Awake , que traz um baixo vigoroso. Não posso também deixar de destacar o fantástico trabalho de Glenn Hughes, que mais uma vez deu conta do recado com toda sua potência vocal. Que voz!

BCC IV já pode ser considerado um clássico: foi feito por quem sabe fazer boa música e produzido por quem sabe o que está fazendo. O resultado não poderia ser melhor.

★★★★★

 

Living Colour – Shade: Sabe aqueles álbuns em que você dá o play e se apaixona instantaneamente? Pois é, foi isso que aconteceu comigo quando ouvi pela primeira vez Shade, 6º trampo do Living Colour. Adiadíssimo – desde 2011 os caras falavam em lançar o sucessor de The Chair in the Doorway (2009) – o novo disco da banda é um passeio do hard rock pelo funk, hip-hop e R&B, tendo o blues como ponto de partida.

“Estávamos querendo apresentar esse tipo de som em nossa música, e foi aí que a aventura começou. Quisemos mostrar como todos esses gêneros se relacionam com o blues”, explicou o baixista Doug Wimbish em entrevista ao site gringo Houston Press.

Shade conta com 13 faixas, das quais 3 são covers: Preachin ‘Blues do bluesman Robert Johnson (inclusive já falei sobre ele aqui)Who Shot Ya de Christopher Wallace, (mais conhecido como o rapper Notorious B.I.G) e Inner City Blues de Marvin Gaye. “Christopher Wallace foi um grande poeta e vítima de violência armada, como alguns dos heróis do blues. Então vimos uma conexão entre ‘Preachin’ Blues e Who Shot Ya”, contou Wimbish. Além disso, a banda também aborda uma grande variedade de questões políticas, sociais e raciais, marca registrada nas composições dos caras.

Entre os principais destaques estão as faixas Freedom of Expression (F.O.X.), um som potente, riffs vibrantes, baixo bem marcado e viradas precisas; Program, com um solo de guitarra muito bem executado, além de uma boa mistura entre o momento rap e a porrada instrumental; Always Wrong, que traz bons momentos no baixo, mas não tão bons como em Blak Out, quando ele surge imponente e aos poucos vai fazendo um duo incrível com a guitarra; e, ainda as empolgantes Who’s ThatInvisible.

Shade sem dúvida é um dos melhores álbuns do Living Colour em anos.

★★★★★

 

Postado ao som do álbum “Shade” (2017), Living Colour.

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Sobre rosegomes

Rose,Tia Rose, Desert Rose ou só Desert, como quiser. Estudante de jornalismo, amante de boa música e boa bebida. Traz no currículo a pretensão de ser um Fábio Massari de saias. Contato: cademeuwhiskey@gmail.com
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Uma resposta para Resenhas: Arcade Fire, Black Country Communion e Living Colour

  1. TONY FRANK disse:

    Gatinha você acertou em tudo, e realmente o mais fraco é o Arcade Fire ficou um cd nota 6, ficaram perdidos. Mas os dois últimos já são clássicos, e olhe que o Living Colour eu não iria escutar, quando ouvir a música fiquei chocado, que coisa ótima, parabéns e beijos. Obrigado pelas dicas.

    Curtido por 1 pessoa

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