Resenhas: Sons Of Apollo, The Killers e VURR

E parece que 2017 tá rendendo e muito no quesito bons álbuns, principalmente se você é daquelas pessoas “mente aberta” para todos (ou quase todos) os estilos abraçados pelo rock e afins, como  a minha pessoa é. O post de hoje varia entre projetos de metal progressivo e um indie/pós- new wave, olha só que maravilha!

Então dá um ligo!

Sons Of Apollo – “Psychotic Symphony”: Uma porrada muito bem elaborada. É assim que classifico Psychotic Symphony, primeiro trampo do projeto Sons Of Apollo, supergrupo que conta com nada mais, nada menos que grandes figurões do Hard/progressivo/melodic rock e afins, ou seja, conta com alguns dos maiores monstros que sabem e muito bem fazer uma sonzera de responsa.

Pra se ter uma ideia a banda conta com a seguinte formação: Ron “Bumblefoot” Thal (Art of Anarchy) na guitarra, Derek Sherinian (Black Country Communion) nos teclados, Billy Sheehan (The Winery Dogs, Mr. Big) no baixo, Mike Portnoy (The Winery Dogs, ex-Dream Theater) na batera e Jeff Scott Soto (Talisman, ex-Yngwie Malmsteen) nos vocais. Sentiu a potência né?

Psychotic Symphony traz 9 faixas recheadas com todos os elementos que caracterizam um bom progressivo; solos de um teclado viajandão ao melhor estilo Emerson Lake and Palmer, uma batera bem quebrada – especialidade do Sr. Portnoy- e claro, como não se trata apenas de um som prog – e sim de metal progressivo- , a potência “guitarrística” e a precisão nas linhas do baixo complementam o bem sucedido projeto. “Eu acho que a única coisa que tentamos alcançar foi apenas ser fiel às nossas influências e o que realmente sentimos emocionalmente”, contou Derek Sherinian em entrevista ao site gringo Guitar World. “Nós não tentamos entrar em nenhuma direção específica, nós escrevemos o que sentimos, juntamos todos os riffs e, de forma orgânica, tudo se uniu de uma ótima maneira.”

Entre os destaques de Psychotic Symphony estão as faixas God of The Sun, Coming Home, Alive, Lost In Oblivion, Signs Of  The Time, Divine Addiction e a maravilhosa instrumental Opus Maximus.

Dê o play e boa viagem!

★★★★

The Killers – “Wonderful, Wonderful”: Mudando completamente a vibe, agora é hora de focar no 5º trabalho dos garotos do Killers. Wonderful, Wonderful parece marcar uma crise de meia idade precoce vivida pelos integrantes da banda, em especial o vocalista e compositor Brandon Flowers, que, em meio a problemas familiares e mudanças na banda, se questionou sobre estar vivendo um possível bloqueio criativo.

O resultado pode ser conferido em 10 faixas produzidas por Jacknife Lee, muito conhecido por já ter trabalhado com bandas do cacife de U2, R.E.M, Snow Patrol, entre outros. “Ele nos empurrou em todos os tipos de direções”, contou Flowers em entrevista à Rolling Stone gringa. “Às vezes, a música e a emoção por trás dela são muito difíceis de explicar. Ele tem uma maneira talentosa de explicá-la”.

Com uma alta carga emotiva, Wonderful,Wonderful se torna um registro de audição obrigatória à qualquer fã de Killers. Não é o melhor álbum dos caras, mas tem seus momentos de ponto alto. Exemplos disso ficam a cargo das faixas The Man (uma das melhores da banda e que traz na sua batida deliciosa elementos de Spirit of the Boogie do Kool and the Gang); a vulnerável balada Rut, escrita sob a perspectiva da esposa de Flowers, que sofre de estresse pós-traumático (PTSD), uma doença emocional que se caracteriza como uma desordem de ansiedade; as gostosinhas Life To Come e Run For Cover, que seguem mantendo o estilo Indie /Pós New Wave dos caras; Out Of My Mind, claramente inspirada na fase mais dançante de David Bowie; The Calling, que traz participação do ator Woody Harrelson (Assassinos por Natureza, Jogos Vorazes) lendo um trecho do Evangelho de São Mateus com um fundo ao melhor estilo Depeche Mode, e Have All the Songs Been Written?, cujo título foi sugerido por Bono (U2) durante uma conversa com um desanimado Flowers, que acreditava não ter mais inspiração para escrever. Vale destacar também a belíssima participação do gênio Mark Knopfler (Dire Straits) na guitarra.

Em recente entrevista à Billboard, o músico de 36 anos admitiu estar pensando em seu legado. “Não é algo sobre o qual falamos muito, mas quanto mais velho você fica, mais você está consciente do tempo e da sua limitação. E o megalomaníaco que há em você diz: “Bem, que tipo de legado deixarei?”

Brandon Flowers, fique tranquilo, seu legado já está garantido e Wonderful,Wonderful é (uma boa) parte dele.

★★★★

VURR – “In This Moment We Are Free – Cities”: Anneke van Giersbergen é realmente uma artista versátil. Ex-Gathering, banda que se caracteriza por um som prog mais alternativo, a vocalista já se envolveu em diversos projetos; do metal progressivo de sua parceria com o multi-instrumentista e compositor Arjen Lucassen, ao “quase” pop rock de Drive (2013), seu álbum solo.

Agora é a vez de a artista voltar à linha do prog metal, com seu mais novo projeto, a banda Vurr (do holandês, fogo), e o álbum In This Moment We Are Free – Cities, que como nome sugere, tem cada música inspirada por uma cidade ao redor do mundo por onde a vocalista já passou. “Em algumas composições eu vi as cidades como um personagem, um ser humano, uma entidade, e escrevi poeticamente sobre isso. Em outras, falo sobre eventos que acontecem em certas cidades”, explicou Anneke em entrevista ao site Planet Mosh.

Nos últimos dez anos fiz muitas coisas diferentes, acho que tudo está incluso neste álbum. Além disso, tive uma ideia clara de que queria que a música soasse masculina, pesada e enérgica, e que os vocais parecessem belos e com belas melodias. Eu queria juntar esses mundos, a escuridão e a luz”, completa. E parece que conseguiu. As 11 canções de In This Moment We Are Free mostram um vocal refrescante e adoravelmente vulnerável, além, claro, de destacar o bom trabalho instrumental dos músicos, que segundo Anneke, são os melhores da Holanda. Se ela falou, tá falado!

Entre as melhores faixas destaco Time – Rotterdam, Freedom – Rio, Days Go By – London, Your Glorious Light Will Shine – Helsinki e Reunite! – Paris.

In This Moment We Are Free – Cities é um álbum pesado, musical e lírico. Um bom trabalho feito notoriamente com o coração e a alma de uma das maiores intérpretes do metal progressivo e alternativo.

★★★

 

Postado ao som do álbum “In This Moment We Are Free – Cities” (2017), VURR.

 

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Sobre rosegomes

Rose,Tia Rose, Desert Rose ou só Desert, como quiser. Estudante de jornalismo, amante de boa música e boa bebida. Traz no currículo a pretensão de ser um Fábio Massari de saias. Contato: cademeuwhiskey@gmail.com
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