Resenhas: Noel Gallagher, Rag’n’Bone Man e U2

Noel Gallagher resolveu sair da zona de conforto e fazer um álbum de musicalidade mista e um som quase hipnótico. O jovem músico Rag’n’Bone Man lançou há alguns meses seu disco debut com um som próprio capaz de criar uma atmosfera ao mesmo tempo que clássica, também atual. E a experiente banda U2 volta depois de 3 anos com um novo trabalho repleto de mensagens otimistas e musicalidade singular. Esses são os álbuns da vez. Dá um confere!

Noel Gallagher’s High Flying Birds – “Who Built the Moon?”: Estaria Noel Gallagher fazendo mais do mesmo desde que o Oasis terminou, lá em 2009? A resposta é sim, pelo menos até Who Built the Moon?, álbum mais recente do músico, que saiu do forno há poucos dias e é surpreendentemente muito bom!

Expansivo, experimental, corajoso e otimista. Foi a essa conclusão que cheguei após inúmeras audições do terceiro trabalho do senhor Gallagher e seus pássaros voadores. Confesso que estava preparada para dar o play e ouvir mais algumas faixas do que seria o Oasis se a banda ainda estivesse em atividade, mas me surpreendi positivamente com o disco. É muito gratificante acompanhar um bom músico saindo de sua zona de conforto e trilhando por caminhos diferentes. Ainda mais quando a jornada é bem sucedida. E os créditos desta bem-fadada caminhada ficam a cargo do DJ e compositor de trilhas sonoras David Holmes.

O produtor irlandês extraiu o máximo que pôde de Gallagher, desprezando toda e qualquer tentativa do músico em fazer mais do mesmo. “A influência dele foi de ter a certeza de que nada que eu escrevesse fosse ter a mínima relação com o Oasis ou qualquer coisa que eu tenha feito antes. Ele encontrava os detalhes do que eu fazia, focando nas coisas menores que viraram algo grande”, contou Noel em entrevista ao site TMDQA.

O resultado é facilmente perceptível em 12 faixas (versão deluxe) que trazem um festival de delays, distorções e sintetizadores convertidos num som experimental quase hipnótico, que mistura o psicodélico ao glam rock e o eletrônico ao britpop noventista, sob a influência de grandes nomes da música como New Order, Blondie, David Bowie e até mesmo Radiohead.

Entre os principais destaques estão as faixas Fort Knox (que me faz querer ter uma superbanda só pra usá-la como música de introdução nos meus shows); Holy Mountain, It’s a Beautiful World, She Taught Me How to Fly, Black & White Sunshine e The Man Who Built the Moon. Vale ainda a lembrança do bônus-track, a faixa Dead in the Water, gravada ao vivo num estúdio em Dublin e com uma interpretação que remete a Neil Young.

Disco de audição altamente recomendável.

★★★★

 

Rag’n’Bone Man – “Human”: Só agora tive a oportunidade de ouvir Human, disco debut do músico e compositor britânico Rag’n’Bone Man, que foi lançado no começo do ano.

A mistura de estilos do álbum, que passeia pelo pop, soul, hip-hop e blues, cria uma atmosfera ao mesmo tempo clássica e atual, que junto aos vocais absolutamente fortes de Rag’n’Bone Man, ou melhor Rory Graham – seu nome verdadeiro – se torna extremamente imprevisível e deliciosamente interessante.

Graham tem seu estilo próprio. Está na estrada há um bom tempo e apesar de ser um jovem músico já carrega certa experiência. Recebeu recentemente o título de soulman moderno, mas não segue o gênero ao pé da letra. Podemos dizer que ele criou seu próprio gênero, o gênero Rag’n’Bone Man, uma mistura ousada que dá e muito certo. “Nunca pensei em fazer um som específico. Isso é algo que eu nunca quis fazer. Eu quero prosseguir com o hip-hop no meu próximo álbum, mas também adoro música folk, porque cresci ouvindo Johnny Cash e cantores como John Prine e Bonnie Raitt. Não sei exatamente o que vou fazer depois, mas sei que vai ser diferente. Nunca me senti vinculado a um gênero. Eu lancei alguns projetos e nenhum deles foi o mesmo que o próximo”, explicou em entrevista ao site gringo Interview Magazine.

Quanto ao excelente álbum Human, aconselho a audição da versão deluxe que traz 19 faixas, das quais destaco as encorpadas Human, Skin, Bitter End, Be The Man, Grace, Ego, Arrow, Die Easy, The Fire, Your Way Or The Rope e Healed.

Um pop com uma pegada soul com forte presença do blues e pitadas de hip-hop. Se isso dá certo? Meu irmãozinho, reserve um tempo do seu dia e apenas ouça. Duvido que você não curta ao menos uma única faixa!

★★★★★

 

U2 – “Songs of Experience”: Parece que foi ontem que o U2 lançou Songs of Innocence e, no entanto, já se foram 3 anos. Apesar do tempo ter passado rápido, muitos fãs estavam ansiosos para ouvir o prometido Songs of Experience, 14º trabalho da banda e uma espécie de sequência mais “madura” do SoI, álbum quase autobiográfico sobre os primórdios dos caras. Ambos têm seu título inspirado em Songs of Innocence and Experience, conjunto de poesias de William Blake, famoso autor inglês do século 18 e grande influência de dez entre dez músicos.

Liricamente, as 13 faixas que compõe a versão simples do álbum exploram a maturidade dos integrantes, em especial do vocalista Bono, que se viu pela primeira vez como um ser mortal e decidiu que as canções soariam como uma espécie de coleção de cartas endereçada a seus familiares e amigos próximos. Diversos fatores pessoais contribuíram para o momento de reflexão do músico, o acidente grave que sofreu ao cair de uma bicicleta que resultou em algumas fraturas, uma experiência que o aproximou da morte e a perda de músicos os quais ele tinha além de grande admiração, amizade. “A perda de David Bowie me afetou profundamente”, disse em entrevista ao site The Times. “E Leonard Cohen, que eu não conhecia tão bem como David, mas conheci Leonard.” Isso acendeu no vocalista do U2 uma preocupação em relação a como será lembrado futuramente. “No seu funeral, ninguém fala sobre o que você conseguiu. Eles falam sobre se você era engraçado ou não. Você era gentil com seus filhos? Então, estou deixando de me preocupar muito com o legado, no que diz respeito ao U2 ou ao meu próprio trabalho, para estar mais preocupado com o que meus filhos e amigos pensam de mim”. E toda essa reflexão feita por Bono pode ser sentida nas canções de Songs of Experience, em especial em seus vocais, que conseguem transmitir de forma transparente toda a carga emocional do músico. E ao contrário do que possa parecer, o disco em nenhum momento é deprimente e sim,  repleto de mensagens e avisos otimistas.

Musicalmente, se Songs of Innocence aborda os primeiros anos de carreira do U2 e homenageia suas principais influências musicais, Songs Of Experience, a segunda parte da “história”, traz elementos mais utilizados na fase madura da banda, mas sem deixar de fazer um gancho com a primeira parte. Há elementos de Achtung Baby, como por exemplo, em The Blackout, enquanto Get Out of Your Own Way e The Showman trazem a tona toda a atmosfera de All That You Can´t Leave Behind. Há ainda a presença de elementos eletrônicos enfatizando a fase em que a banda flertou com o gênero, em meados dos 90´s e ainda uma faixa surpreendente que remete à fase The Unforgettable Fire: Book Of Your Heart, presente apenas na versão deluxe do álbum e que não entendi porque cargas d´água não entrou na versão oficial. Já no instrumental o destaque fica com a linha de baixo do excelentíssimo Adam Clayton, que se mostra vibrante e vigorosa em grande parte do disco.

As faixas Lights of Home, Get Out of Your Own Way, Summer of Love, Red Flag Day, Landlady, The Blackout e a bônus Book Of Your Heart merecem audições infinitas.

U2 voltou meus amigos, e voltou com tudo!

★★★★★

 

Postado ao som do álbum “Human” (2017), Rag’n’Bone Man.

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Sobre rosegomes

Rose,Tia Rose, Desert Rose ou só Desert, como quiser. Estudante de jornalismo, amante de boa música e boa bebida. Traz no currículo a pretensão de ser um Fábio Massari de saias. Contato: cademeuwhiskey@gmail.com
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