Morando com os mortos: a bizarra tradição do povo Toraja

Imagine dividir sua casa com o cadáver de um ente querido. Imagine mais ainda, tratá-lo como se estivesse vivo, conversar e até mesmo oferecer comida a ele! Parece loucura, mas para o povo Toraja isso é um costume.

Os Tana Toraja vivem na região das montanhas ao sul da Ilha de Sulawesi, na Indonésia. Eles creem na vida após a morte e não a enxergam como algo repentino e sim, como uma espécie de doença, que vai levando aos poucos a alma do falecido, num processo de separação entre espírito e corpo, que pode levar meses e até anos.

A Morte

Quando um cidadão Toraja morre, seu corpo passa por um processo de mumificação; os familiares o lavam, esfregando folhas e ervas. Na maioria dos casos também se usa o formol. Tubos de bambu são colocados para vazar os líquidos e evitar o mau cheiro. É durante esse período de “transição” que o cadáver habita a casa de seus familiares, já que segundo a crença Toraja, ele não pode ser enterrado após a morte. Para eles esse processo é importante para que o morto se acostume com sua nova condição e sinta-se pronto para abandonar a matéria.

A família guarda o corpo em casa e passa a cuidá-lo, como se tratasse apenas de uma pessoa doente. Isso inclui:

– banhos e roupas limpinhas e cheirosas regularmente;

– comida, cigarro e bebida ao menos duas vezes por dia;

– recipiente no canto do quarto para o cadáver fazer “suas necessidades”,

– luzes acessas ao anoitecer.

Familiares dividindo o mesmo teto com o “parente doente”.

O Funeral

As famílias Toraja passam a vida poupando dinheiro para os funerais, afinal, são elas que fornecem os búfalos, porcos e demais animais sacrificados durante a cerimônia. Quanto maior o status do defunto, maior o número de animais abatidos. Nem sempre as famílias são abastadas, isso também explica o fato de alguns defuntos demorarem tanto para serem enterrados, afinal, é preciso certa quantia para a cerimônia de funeral e enquanto as famílias economizam, acabam por dividir o mesmo teto com o falecido, numa boa.

Durante a cerimônia – que pode levar dias – há lutas de búfalos e galos, além do sacrifício dos animais, que segundo o pensamento Toraja, é necessário para libertar a alma do morto que começa a sua viagem à Terra das Almas.

A carne dos bichos é distribuída entre familiares e visitantes de acordo com a posição social de cada um, e claro, ao falecido também é dedicada uma porção.

O Enterro

Raramente o povo Toraja enterra seus mortos no solo. Grutas, sejam elas naturais ou esculpidas para os devidos fins, são utilizadas na maioria dos casos como a última morada do falecido.

Vale destacar que certo tempo depois os familiares costumam desenterrar os corpos para limpá-los, trocar suas roupas e participar de reuniões em família num ritual chamando Ma Nene.

Dá um confere nas fotos a seguir:

No blog português Para Ser Grande, Sê Inteiro tem um relato bem interessante sobre o povo Toraja e seus rituais, mas se você for sensível à imagens de animais sendo torturados, é melhor que nem veja, porque as fotos são bem fortes.

 

Imagens: Elang Herdian/AP, SmokeJedi.com, Pinterest, Hypescience.

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Postado ao som do álbum  “Singles” (2015), The Mission.

 

Sobre rosegomes

Rose,Tia Rose, Desert Rose ou só Desert, como quiser. Estudante de jornalismo, amante de boa música e boa bebida. Traz no currículo a pretensão de ser um Fábio Massari de saias. Contato: cademeuwhiskey@gmail.com
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