Supergrass e a reinvenção do britpop com I Should Coco

Esses dias ouvi um álbum que fez parte da minha adolescência e há anos não ouvia. O que mais me surpreendeu é que continuo com o mesmo pensamento positivo sobre ele, mesmo tendo passado tanto tempo.

Há 23 anos era lançado o disco debut de uma das bandas mais criativas e irreverentes da música britânica, o Supergrass. I Should Coco é um disco animado do início ao fim que reflete o momento positivo pelo qual o britpop passava na década de 90 apesar da guerrinha tola entre  Blur e Oasis. Por aqui a banda teve a oportunidade de tocá-lo em apresentações no Festival Hollywood Rock de 1996, nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

O álbum traz em suas treze faixas claras influências de bandas como The Kinks, BuzzCocks e The Jam e também do rock britânico de um modo geral nos últimos 20 ou 30 anos, além de contar em suas letras um pouco da vida dos músicos.

I Should Coco abre os trabalhos com a animadíssima “I’d like to Know”, que conta sobre o Coney Road, em Oxford, local onde a banda já viveu. O destaque desta faixa fica com os riffs animados do vocalista e guitarrista esquisitão, Gaz Coombes. “Caught by The Fuzz” traz introdução semelhante à de God Save the Queen do Sex Pistols e fala sobre a prisão de Coombes por porte de maconha. Segundo o músico o ritmo da música simula a adrenalina de ver sua própria mãe ir ao seu encontro na delegacia.

Um dos grandes destaques do disco fica com “Mansize Rooster”, que traz o baixo ritmado de Mick Quinn e mantém a mesma energia das faixas anteriores. “Allright” o carro chefe do álbum é sem dúvida a música mais conhecida da banda. Já tocou em diversos filmes e até em comerciais e mantém uma melodia alegre e  piano singular. A canção celebra a juventude e o gosto pela maconha, o que pelo nome da banda “Supergrass”, algo como “Super Erva” , já estava evidente.

A banda ainda traz “Lose It” uma faixa um pouco mais pesada com um belo trabalho de Danny Goffey  na batera e brinca em “We´re Not Supposed To” executada em rotação mais rápida. No mais mantém a mesma pegada “inglesa” como nas faixas “Strange Ones” e “Time” (esta com batida e riff envolvente) e a beatlesística  “Sofa (of My Lethargy)”.

Sem dúvida é um dos discos mais importantes da vertente e um dos melhores da banda que viria a se separar em 2010. Pra quem admira o britpop é um prato cheio.

 

Postado ao som do próprio I Should Coco (1995), Supergrass.

 

 

Sobre rosegomes

Rose,Tia Rose, Desert Rose ou só Desert, como quiser. Jornalista por formação, amante de boa música e boa bebida. Traz no currículo a pretensão de ser um Fábio Massari de saias. Contato: cademeuwhiskey@gmail.com
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