Bruce Talamon e as lentes que capturaram a magia do Soul

James Brown, Steve Wonder, Marvin Gaye, Jackson 5 – Bruce W. Talamon fotografou todos eles. Em dez anos suas lentes capturaram uma doce era em pleno auge do Funk, R&B e Soul music na América.

“Ninguém nunca vai saber o quão divertido foi”, contou o fotógrafo ao site gringo The Guardian. “Eu me considerei um cronista da nossa história, da música dos negros. Eu não tinha nenhum treinamento. Era um estudante de ciências políticas, fui para a faculdade de direito. Então comprei uma câmera em um programa de intercâmbio em Berlim e fiquei empolgado com o poder da imagem.” Um ano depois, em Los Angeles, ele conheceu Howard L Bingham, um fotógrafo famoso por registrar Muhammad Ali e que lhe abriu as portas para a fotografia musical.

Entre os anos de 1972 e 1982, o jovem e relativamente inexperiente fotógrafo de Los Angeles teve acesso quase irrestrito às maiores, mais brilhantes e mais excêntricas estrelas da música negra. Ele saiu em turnê com o Parliament-Funkadelic, registrou performances de James Brown e Diana Ross, capturou momentos íntimos nos bastidores com Al Green e Jackson 5 e chegou a passar uma semana com Marvin Gaye, andando na praia, jogando basquete e comendo restos do Dia de Ação de Graças na casa dos pais do músico. “Esses artistas não tinham medo de falar. Pense em algumas das coisas que eles estavam escrevendo, como What`s Going On, de Marvin Gaye: a música estava sendo usada para transmitir uma mensagem. Esses eram homens que entendiam o poder do protesto. Isso é algo que eu não vejo o suficiente nesta maravilhosa nova geração de músicos”, compara. E a comparação não para por aí, já que antigamente o acesso aos músicos era muito mais fácil, diferente do que acontece nos dias atuais.

 “Se você quer registrar Beyoncé ou Justin Timberlake agora, haverá algum empresário fazendo com que você assine todos os seus direitos. Além disso, se você está fotografando só pode nas três primeiras músicas. Metade das melhores imagens que tenho aconteceu durante as duas últimas músicas do set. E nos bastidores, os empresários não pegavam o Jack Daniel’s da mão do artista ou tiravam o palito da boca do Bob Marley. Eu poderia fotografar a noite toda sem ninguém me pedindo para abaixar a câmera.”

A festa chegou ao fim para Talamon no início dos anos 80. “As coisas começaram a mudar. As gravadoras começaram a pedir contratos, queriam ter tudo.” Amigos no negócio o aconselharam a ampliar seu repertório, então ele foi trabalhar em sets de filmagem com John Singleton e Steven Spielberg e nas revistas People e Time.

Recentemente o fotógrafo lançou o livro “Bruce W. Talamon. Soul. R&B. Funk. Photographs 1972–1982” com um apanhado das imagens mais icônicas feitas por ele no auge da Black music. Você confere algumas abaixo:

Bob Marley (1980).

Marvin Gaye com sua mãe e seu irmão (1978).

George Clinton (1977).

Diana Ross (1974).

Donna Summer (1977).

James Brown (1973).

Larry Dunn e Maurice White do Earth, Wind & Fire (1979).

The Jackson 5 (1974).

Rick James (1977).

Aretha Franklin ( 1974).

 

 

Postado ao som do álbum ” For Once In My Life” (1968), Stevie Wonder.

Anúncios

Sobre rosegomes

Rose,Tia Rose, Desert Rose ou só Desert, como quiser. Estudante de jornalismo, amante de boa música e boa bebida. Traz no currículo a pretensão de ser um Fábio Massari de saias. Contato: cademeuwhiskey@gmail.com
Esse post foi publicado em Fotografia, Música, Soul e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s