Resenhas: Devotchka e Alice in Chains

Vou falar rapidamente de dois lançamentos muito diferentes entre sí (talvez a única coisa que eles tenham em comum é o fato de serem o sexto trabalho de suas respectivas bandas), mas de muita qualidade. De um lado o novo do Devotchka, banda que traz um indie que muitos classificam como “gypsy punk”; de outro, o mais recente do Alice in Chains, um dos “pilares” do movimento grunge. 

Bora?

 

Devotchka – “This Night Falls Forever”: This Night Falls Forever, sexto álbum (de estúdio, completo) do Devotchka, traz mais uma vez o som característico do quarteto americano: um indie rock em sua versão mais épica e cinematográfica, mesclado a um instrumental que ultrapassa os limites da sutileza – fruto de influências culturais do leste europeu da virada do século-  e o vocal singular, emotivo, crescente e nostálgico de Nick Urata.

O disco apresenta 11 faixas – que podem ser facilmente degustadas uma a uma sem a menor pressa – e traz como destaques as belas Straight Shot que segundo Urata em entrevista ao site gringo The Marquee, é como um mergulho ao luar através de um coração partido, em um mar de fantasmas do seu passado”; Lose You In The Crowd; Love Letters; Empty Vessels (atenção fãs do U2, pode ser que vocês se sintam familiarizados com a melodia dessa música); Done With Those Days; Angels – canção com maiores chances de alavancar nas FM´s e que com toda certeza tem grande potencial pra levantar os shows; e Second Chance, que fecha brilhantemente o trabalho.

Sugiro a audição deste álbum para pessoas com alta sensibilidade musical, que depois de uma semana cansativa querem apenas apertar o play e desacelerar.

9,5

 

Alice in Chains – “Rainier Fog”: O Mount Rainier é um vulcão localizado a sudeste de Seattle e que lança uma sombra sobre a cidade. Vem dai a inspiração para Rainier Fog, sexto, e, sem dúvida, melhor álbum da era atual do Alice In Chains, banda que explodiu através do movimento grunge nos anos 90 e que sempre foi considerada a mais metal dele.

O disco traz em suas 10 faixas um retorno à sonoridade noventista com aquele toque mais pesado já conhecido dos fãs de longa data, só que mais amadurecido.  Acompanhado pelo impressionante William DuVall, Jerry Cantrell  se destaca e crava Rainier Fog como um dos seus melhores trabalhos. Vale deixar registrado o alto nível dos vocais, dignos da era Layne Staley.

Os destaques ficam por conta das gigantescas Red Giant, Deaf Ears Blind Eyes, Maybe, So Far Under, Never Fade, All I Am e The One You Know, que abre o disco e traz estrondosos riffs de guitarra. “Foi na época em que Bowie morreu, e ele deve ter ficado um pouco na minha cabeça”, explicou Cantrell em entrevista ao site da revista Rolling Stone gringa. “É uma versão metal da sensação de Fame” (música lançada por Bowie em 1975), completou.

Rainier Fog é mais do que um tributo à Seattle e ao grunge. É a prova concreta do que uma banda experiente pode fazer.

“É estranho ter 52 anos, estar em uma banda há 30 e ainda fazer isso em alto nível“. (Jerry Cantrell  ).

8,5.

 

 

Postado ao som do álbum “This Night Falls Forever” (2018), Devotchka.

Sobre rosegomes

Rose,Tia Rose, Desert Rose ou só Desert, como quiser. Jornalista por formação, amante de boa música e boa bebida. Traz no currículo a pretensão de ser um Fábio Massari de saias. Contato: cademeuwhiskey@gmail.com
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