Resenhas: Imagine Dragons, Mark Knopfler e Muse

O que dois álbuns de bandas contemporâneas com um estilo mais ligado ao Indie têm em comum com um trabalho solo de um dos grandes dinossauros do Classic Rock? Vou te dizer: ousadia. Os 3 lançamentos abaixo ousaram em passear por novos ares – e se deram muito bem, diga-se de passagem. Imagine Dragons, Mark Knopfler e Muse pra você escolher.

Imagine Dragons – “Origins”: Com capa bonita e 15 faixas em sua versão deluxe, o quarto álbum da banda americana dá uma bela passeada em diversos estilos, mas sem perder a personalidade musical que fez o grupo se destacar em seus trabalhos anteriores. Se musicalmente Origins deixou boa parte de seus fãs satisfeitos, liricamente também não poderia ser diferente.

O álbum traz composições conscientes sobre temas mais positivos, diferente de Evolve, trabalho anterior dos caras. “Evolve é como se fosse ‘para onde eu estou indo?’, você entre as cores no meio da escuridão, e Origins é o lugar para onde você vai”, explicou o vocalista Dan Reynolds ao site gringo The Guardian. “Quando criamos, criamos sem barreiras, sem regras. Entusiasma-nos poder criar músicas que nos soam diferentes e novas”, completou.

Com produção da própria banda, os grandes destaques de Origins vão para as faixas: Natural (sucesso absoluto entre os fãs da banda), Bad Liar, Zero (parte da trilha sonora da animação Ralph Breaks The Internet), Bullet In A Gun, Love e Real Life.

Disco de audição bastante agradável pra quem curte o estilo.

8,0

 

Mark Knopfler – “Down the Road Wherever”: O nono trampo solo do músico britânico foi apresentado como um álbum de “canções lentas e elegantes.” Dito isto pode até parecer que Down the Road Wherever  é um disco chato e cansativo, mas basta dar o play nas 16 faixas da versão deluxe para que esta impressão caia por água abaixo.

O álbum apresenta uma jornada sobre a vida e obra do músico, não a toa traz uma impressão clara de que as músicas parecem estar carregadas de memórias e lembranças de Knopfler. Com passeios pelos mais variados estilos – do jazz a um blues mais funkeado e ao blues mais raiz – o músico mantém o belo vocal “aconchegante” e sua sagacidade singular. Isso sem contar com os inconfundíveis e elegantes riffs de guitarra. Knopfler parece estar bem à vontade fazendo o que mais ama, sem se preocupar com cobranças comerciais. “Você chega a uma idade em que escreveu algumas músicas. Mas “Down The Road Where Wherever” parece ser apropriado para mim só porque é o que sempre fiz. Eu sempre tentei gravar um álbum e também manter minha própria geografia acontecendo nas músicas”, contou ao site  Australian Musician.

Os destaques ficam a cargo das faixas Trapper Man, Back On The Dance Floor, Just A Boy Away From Home, Good On You Son, Nobody Does That, One Song At A Time e Heavy Up.

Down The Road Where Wherever traz um Mark Knopfler convidativo, testando novas sonoridades com a classe e a sofisticação que somente uma lenda da música pode ter.

8,0

 

Muse – “Simulation Theory”: Muita ficção científica, conspirações, fake news, cultura pop e realidades simuladas, envoltos numa sonoridade retrô que mescla ao mesmo tempo o rock ao synthpop (com presença maior do segundo é bem verdade) e ao eletrônico contemporâneo. É mais ou menos assim que podemos classificar Simulation Theory, o mais recente trampo do trio britânico Muse.

O oitavo álbum traz 11 canções, mas vale destacar a versão Super Deluxe disponível nas plataformas de streamings da vida que vem com 21 faixas, sendo muitas delas bem mais interessantes do que as contidas na versão simples.

Diferente de trabalhos anteriores, ST não trata de um disco conceitual e traz em cada faixa temáticas diferentes e únicas com letras um pouco mais positivas. “Eu não vou a muitas festas, mas sinto que estou nos anos 80 hedonistas. Há uma nostalgia de como as pessoas livres pareciam naquela época, não preocupadas com a mudança climática ou com temas políticos. Essa inocência foi perdida nos anos 90 e 2000. Um dia as pessoas dirão: “Eu gostaria de poder usar um par de tênis da Nike, beber uma Coca-Cola, dançar uma música legal e não dar a mínima”, desabafou o vocal Matt Bellamy em recente entrevista à Billboard. E não parou por aí, o músico contou ainda mais sobre uma de suas inspirações para compor o novo álbum: “Há certas contas no Twitter que, se você não as seguisse, teria uma vida mais pacífica. Esses contágios de pensamento entram em nossas mentes, nos deixam irritados. Se você se desconecta dele – divirta-se, vá a uma festa, coloque um fone de ouvido de realidade virtual, vá correr, deixe os meses passarem – e depois liga-o novamente, você percebe que nada mudou. São os mesmos argumentos e debates que ninguém nunca vai ganhar. Em última análise, abaixo de tudo, não há uma ameaça direta imediata às nossas vidas. Apenas uma pequena porcentagem desse ruído é real”.

Sob toda essa inspiração as faixas The Dark Side, Propaganda, Break It To Me, Thought Contagion e Blockades são as que mais merecem atenção.

Vale destacar ainda que um dos refúgios do músico durante a composição do álbum foram os jogos de Realidade Virtual. “Você está falando com pessoas aleatórias por toda parte – um cara russo, alguém em Surrey, alguém na Austrália, jogando algum jogo de Jornada nas Estrelas, pilotando um navio. Isso me deu esperança sobre os humanos. Quando você escapa da realidade, todo mundo é adorável. Coloque os humanos fora da realidade e eles se divertem sem guerras. Traga-os de volta à realidade e é problemático. No futuro, vamos gastar muito mais tempo em RV. Em 10 ou 20 anos, todos estarão lá.”

Olha Matt, do jeito que as coisas vão, é bem possível…

8,5

 

Postado ao som deSimulation Theory” (2018), Muse.

Sobre rosegomes

Rose,Tia Rose, Desert Rose ou só Desert, como quiser. Estudante de jornalismo, amante de boa música e boa bebida. Traz no currículo a pretensão de ser um Fábio Massari de saias. Contato: cademeuwhiskey@gmail.com
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