Nagoro: a vila japonesa habitada por bonecos de pano

Ayano Tsukimi e seus bonecos de pano. (Elaine Kurtenbach /AP).

Localizada na ilha de Shikoku, no sudoeste do Japão, a Vila de Nagoro é uma aldeia montanhosa de apenas uma rua. O lugarejo já chegou a abrigar aproximadamente 300 moradores divididos em mais ou menos 100 famílias. No entanto, dados do inicio de 2019 mostram que atualmente o número de habitantes não passa dos 24. Todos mais velhos. A cidadã mais nova da aldeia tem 55 anos de idade. A migração da população mais jovem para as grandes metrópoles em busca de melhores condições de vida e o falecimento dos residentes mais antigos foram os principais fatores que contribuíram para o “quase” abandono da Vila.

No começo dos anos 2000 o declínio de habitantes já era bastante aparente e o vilarejo mais se parecia com uma cidade fantasma, foi quando a artesã Ayano Tsukimi retornou à sua terra natal depois de décadas vivendo na cidade de Osaka. Por conta dos corvos que estavam destruindo suas plantações ela confeccionou um espantalho vestido com a roupa de seu pai. “Uma pessoa que passou por ali acreditou que era ele e o cumprimentou, foi divertido”, contou em entrevista a Associated Press. Percebendo que o espantalho poderia “substituir” a figura humana, Tsukimi teve uma ideia um tanto curiosa: produzir muitos bonecos em tamanhos reais como pessoas, para habitarem a pequena vila e afastarem a sensação de vazio. Cada boneco (atualmente são mais de 350) representa um morador que deixou a região ou faleceu. Em pouco tempo Nagoro voltou a ser uma aldeia bastante habitada. Por bonecos de pano.

Tsukimi usa pedaços de madeira e jornais para os corpos, lãs para os cabelos e tecido elástico para o rosto. Em pouco tempo os bonecos adquirem expressões simpáticas e passam a ocupar cada um, o seu lugar na pequena vila.

Escolas, estações de trem, lojas, casas e ruas estão ocupadas pelos habitantes de pano. Tsukimi defende seus bonecos e acredita que suas “crias” ajudaram o turismo da região que ganha cada vez mais visitantes. “Se não tivesse os criado, todos passariam direto por Nagoro”, comenta.

A artesã encontrou em seus bonecos uma maneira de espantar a solidão da pequena vila e por mais bizarro que possa parecer, seus filhos de pano fizeram da aldeia um lugar único no mundo. “Eles nos trazem memórias. Me fazem lembrar os velhos tempos, quando estavam vivos e bem. Não sei como será Nagoro dentro de 10 ou 20 anos, mas continuarei fabricando bonecos”, completa.

Bizarro mesmo deve ser dar uma volta pela pequena vila durante a noite…

 

Fotos: Elaine Kurtenbach /AP, Lugares Esquecidos, Pinterest.

 

Postado ao som do álbum “Vendavais” (2019),  Ave Sangria.

Sobre rosegomes

Rose,Tia Rose, Desert Rose ou só Desert, como quiser. Jornalista por formação, amante de boa música e boa bebida. Traz no currículo a pretensão de ser um Fábio Massari de saias. Contato: cademeuwhiskey@gmail.com
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